
Investigações do atentado contra Bolsonaro não apontam que Adélio Bispo usou um veículo para cometer o crime
- Publicado em 29 de agosto de 2025 às 18:29
- 3 minutos de leitura
- Por AFP Brasil
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“A PLACA DO CARRO USADA POR ADÉLIO NO DIA DO ATENTADO A BOLSONARO, ESTÁ NO NOME DE LINDERBERG. E AGORA?”, lê-se em uma imagem que circula no Kwai, no Facebook, no Instagram, no TikTok e no X.
O conteúdo relaciona o deputado petista Lindbergh Farias ao atentado sofrido por Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral das eleições de 2018.

O atentado contra Bolsonaro foi investigado em dois inquéritos da Polícia Federal, em 2018 e 2020. Contudo, como já mostrado pelo Checamos e pelo Projeto Comprova — do qual a AFP faz parte —, ambas as investigações apontaram apenas o envolvimento de Adélio Bispo no planejamento e na execução do crime.
O que dizem as investigações
Em 2019, após as conclusões do primeiro inquérito, Adélio Bispo foi considerado inimputável devido ao diagnóstico de transtorno delirante e foi sentenciado a internação psiquiátrica por tempo indeterminado. O relatório sobre o caso não indica que o réu tenha usado qualquer veículo para cometer o crime nem a participação de terceiros.
Logo após a conclusão do primeiro inquérito, a Polícia Federal (PF) determinou a abertura de uma segunda investigação para apurar com mais profundidade se houve a participação de outras pessoas no crime.
No relatório parcial sobre o caso, divulgado pelo Estadão, são detalhadas diversas diligências realizadas pelos agentes para “apurar todas as circunstâncias em torno do crime, aprofundando-se na busca de eventuais coautores, partícipes e instigadores”. Entre todas as apurações citadas no documento, em nenhum momento é mencionado que Adélio tenha utilizado um carro na execução do crime.
O nome do deputado Lindbergh Farias tampouco é citado. Pelo contrário, o documento deixa claro que, após as ações de investigação, “não foram comprovados, por exemplo, a participação de agremiações partidárias, facções criminosas, grupos terroristas ou mesmo paramilitares em qualquer das fases do ato criminoso (cogitação, preparação e execução)”.
O relatório ainda desqualifica a tese de que Bispo tenha recebido apoio financeiro, acrescentando que o crime foi “perpetrado de maneira extremamente rudimentar” com uma faca usada como utensílio de cozinha pelo réu.
A Justiça Federal em Minas Gerais arquivou provisoriamente a investigação em junho de 2020, mas ela foi reaberta em outubro de 2022.
Em junho de 2024, a PF reiterou que não houve a participação de terceiros no atentado e pediu o arquivamento do inquérito. Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a investigação constatou o envolvimento do advogado do réu com a facção criminosa PCC, mas não com a tentativa de homicídio contra Bolsonaro.