
Registro de bombardeio no Iêmen é compartilhado como se fosse um ataque norte-americano contra Maduro
- Publicado em 28 de agosto de 2025 às 22:18
- 5 minutos de leitura
- Por AFP Brasil
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“EUA em Ação contra Nicolás Maduro”, diz o texto sobreposto aos vídeos compartilhados no Facebook, no Instagram, no Threads, no X, no TikTok e no YouTube.

Na sequência viral, em um local rodeado por um corpo d’água, explosões podem ser vistas atingindo estruturas ao longe.
Nos comentários das publicações, usuários parecem acreditar se tratar de um ataque norte-americano contra a Venezuela, afirmando: “Vai ser lindo ver os Venezuelanos livres” e “Salve o Trump e parabéns pelo trabalho realizado contra o ditador Maduro”.
O conteúdo circula em meio à crescente crise entre os Estados Unidos e a Venezuela. Em 7 de agosto de 2025, Washington atualizou para US$ 50 milhões a recompensa oferecida por informações que levem à captura do presidente Nicolás Maduro, cujas últimas duas eleições não são reconhecidas pelo governo norte-americano.
O mandatário venezuelano também é acusado de liderar uma suposta quadrilha do narcotráfico classificada por Donald Trump como uma organização terrorista. No final de agosto, três navios de guerra norte-americanos foram enviados para a costa da Venezuela sob a justificativa de combater o narcotráfico, movimento qualificado por Maduro como “criminoso e ilegal”.
Contudo, o vídeo viral não mostra um ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela.
Bombardeios no Iêmen
Além da indicação sobre Maduro, aparecem sobrepostos à gravação os dizeres “Caracol Radio” e, em tradução livre do espanhol para o português, “Estados Unidos bombardearam o porto petrolífero de Ras Issa, no Mar Vermelho”.
Uma pesquisa no Google por esses termos conduziu às publicações originais feitas pela rádio colombiana Caracol Radio no Facebook e no Instagram em 17 de abril de 2025. Na legenda, o veículo indica que a gravação é um registro de um bombardeio norte-americano feito contra o porto de Ras Issa, localizado em uma província do Iêmen, dentro de uma zona controlada por rebeldes huthis.
Uma nova busca pelas palavras-chave, em inglês, “Estados Unidos”, “Iêmen” e “Ras Issa” encontrou matérias de abril (1, 2, 3) que compartilham registros similares do ataque.
A AFP também noticiou o bombardeio à época, quando 80 pessoas morreram e quase 200 ficaram feridas, segundo contagem dos huthis. De acordo com o governo norte-americano, o ataque tinha o objetivo de cortar uma fonte de fornecimento de combustível e de financiamento dos rebeldes.
O AFP Checamos já verificou outras alegações sobre a crise entre Estados Unidos e Venezuela em 2025.