CEO da Disney não foi preso por tráfico de pessoas; site que publicou a história é satírico
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- Publicado em 30 de março de 2022 às 22:15
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- Por AFP Estados Unidos, AFP Uruguai, AFP Brasil, Manon JACOB,
- Tradução e adaptação Manuela SILVA
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“O CEO da Disney foi preso por TRÁFICO HUMANO”, diz uma das publicações compartilhadas no Facebook, no Twitter e no Telegram. Diversas postagens também são acompanhadas pela captura de tela de um artigo em inglês do site Vancouver Times, que afirma que Chapek foi preso por tráfico de pessoas e por posse de pornografia infantil.
Conteúdo semelhante também circulou em inglês, alemão, francês, italiano, tcheco e espanhol.
O artigo do Vancouver Times afirma que Chapek foi preso no sul da Califórnia, nos Estados Unidos. A AFP entrou em contato com o Escritório de Informação do Departamento do Xerife do condado de Los Angeles, que confirmou que “a delegacia do xerife de Malibu / Lost Hills não prendeu o Sr. Chapek”.
O grupo de trabalho regional contra o tráfico de pessoas do Departamento do Xerife também disse que “não estava ciente de nenhuma prisão relacionada ao diretor-executivo da Disney, Bob Chapek”.
Ao buscar por “Bob Chapek” ou “Robert Chapek” no centro de informação de reclusos do Departamento do Xerife do condado de Los Angeles, não se obteve resultados.
Uma pesquisa no arquivo do Vancouver Times revelou que a história inicialmente carecia de qualquer menção a sua natureza satírica, mas depois foi agregada uma marca de “sátira” na página.
Em seu site, o Vancouver Times se descreve como “a fonte mais confiável de sátira na Costa Oeste”. E assinalam: “Escrevemos histórias satíricas sobre temas que afetam os conservadores”.
O conteúdo foi compartilhado após a polícia do condado de Polk, na Flórida, prender 108 pessoas por uma “operação secreta de tráfico de pessoas”.
A maioria das prisões estiveram relacionadas a prostituição e oferecimento de sexo por dinheiro, que são ilegais na Flórida. Quatro dessas prisões foram por comportamento predatório em relação a menores.
O xerife do condado de Polk, Grady Judd, disse em uma coletiva de imprensa em 16 de março de 2022 que quatro funcionários da Disney estavam entre os detidos.
Segundo Judd, três funcionários, que trabalhavam na indústria de restaurantes, desenvolvimento de software e tecnologia da informação para a Disney, foram presos por oferecer relações sexuais em troca de dinheiro, enquanto uma quarta pessoa teve três acusações relacionadas à posse de material nocivo.
“Era um salva-vidas no Resort Polinésio da Disney e se gabava disso”, disse o xerife sobre esse último caso.
A AFP recebeu a lista completa de suspeitos detidos na operação e confirmou que não contém o nome de Chapek. Também consultou a The Walt Disney Company sobre as publicações que vinculam Chapek às prisões, mas não obteve resposta até o momento da publicação deste artigo.