Atleta trans não se identificava como uma jovem adolescente para jogar basquete

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Publicações afirmando que um homem de 50 anos que “se identifica como uma jovem” e joga basquete em uma liga adolescente feminina circulam desde o último dia 1º de março no Facebook, somando mais de 3.700 compartilhamentos. A alegação é acompanhada por uma foto na qual se vê a pessoa em questão sentada junto a outras seis pessoas vestindo um uniforme. No entanto, se trata de Gabrielle Ludwig, uma mulher transgênero que jogou em uma equipe universitária da Califórnia de 2012 a 2014. Segundo seu antigo treinador, ela não se identificava como uma jovem adolescente.

“Um homem de 50 anos está a jogar basketball na liga de adolescentes feminino, porque se identifica como uma jovem adolescente. Só para verem a que ponto é que isto chegou!!! Já agora Parabéns aos que apoiaram a ideologi@ de gênero e quando nós alertavamos que ia chegar a este ponto ,ainda nos chamavam Conspiracionistas e homo-fóbicos!!”, dizem as postagens no Facebook (1, 2).

A afirmação também tem circulado em inglês (1, 2) e polonês.

Captura de tela feita em 9 de março de 2021 de uma publicação no Facebook

A equipe do AFP Checamos fez uma busca reversa da foto postada e encontrou algumas publicações em sites. Em uma delas aparece o nome da esportista na legenda da imagem: “A transexual de 50 anos Gabrielle Ludwig retorna ao basquete universitário”

Uma nova consulta no Google, dessa vez pelas palavras-chave “Gabrielle Ludwing”, “transgender” e "basketball", resultou em matérias sobre a jogadora em grandes veículos da mídia norte-americana (1, 2, 3) que noticiavam como ela se juntou em 2012 à equipe feminina de basquete da Mission College, uma universidade de Santa Clara, na Califórnia.

A biografia de Ludwig na página da equipe Mission Saints detalha que ela, que tem um metro e noventa de altura, começou a jogar no time californiano aos 50 anos. Logo depois de duas temporadas (2012-2013 e 2013-2014), ela passou de jogadora a assistente técnica. 

O treinador da Mission Saints, Corey Cafferata, confirmou a informação em conversa com a AFP. “Ela não é assistente técnica há sete anos. Ela jogou para mim há oito anos”, disse ele, citando a idade como o principal motivo para a saída de Ludwig do time.

Sobre as alegações de que Ludwig se identifica como “uma jovem adolescente”, Cafferata garantiu: “não, isso não é verdade”. “Gabbi nunca disse ‘eu sou uma garota de 18 anos’, nunca. Ela era uma mulher de 52 anos que trabalhava em tempo integral, tinha um companheiro em casa e três filhos”.

Ludwig nasceu na Alemanha e se mudou para os Estados Unidos quando criança, jogou basquete quando era jovem e serviu na Marinha dos Estados Unidos durante a Operação Tempestade no Deserto, tudo antes de ingressar na Mission Saints.

“Eles não podem dizer isso”, contestou Cafferata sobre as alegações de que Ludwig estava jogando em uma liga adolescente. “Esta é uma faculdade, é uma liga universitária”, disse ele, acrescentando que a maioria das outras jogadoras tinham entre 18 e 20 anos.

Para Cafferata, Ludwig não se destacou atleticamente em comparação com as outras jogadoras: “Eu diria que elas eram melhores do que Gabbi, porque eram mais jovens, estavam em melhor forma”.

Referindo-se à documentação que confirmava seu gênero feminino, Cafferata esclareceu: “Quando Gabbi veio até mim, ela estava dentro das regras”.

“Essa história é tão antiga”, opinou Cafferata. “Houve outras pessoas transexuais depois dela que jogaram aqui, Gabbi foi apenas a primeira”.

Ludwig não respondeu aos pedidos de comentários da AFP.