A suposta foto aérea de Santiago em chamas é apenas uma ilustração digital

Uma imagem aérea apocalíptica da capital chilena de Santiago tem sido compartilhada nas redes sociais desde meados de outubro associada às violentas manifestações que abalam atualmente o país sul-americano. No entanto, a imagem é uma ilustração digital que circula ao menos desde 2008.

Captura de tela feita em 23 de outubro de 2019 mostra foto viralizada publicada no Twitter

“Santiago de Chile, outubro de 2019. Mais um povo de nossa região dá o exemplo de como enfrentar a barbárie neoliberal”, diz a legenda de uma das publicações em português. “Chile em chamas: Santiago arde em rebeldia”, escreveu outro usuário ao compartilhar a imagem.

Sob a hashtag #ChileDesperto, a imagem foi compartilhada dezenas de vezes no Twitter (1, 2), além de aparecer em múltiplas publicações em espanhol (1, 2, 3) desde o último dia 18 de outubro, quando violentos protestos tomaram às ruas do Chile em repúdio a um aumento no preço de passagens de metrô - medida desde então revertida pelo governo. 

No entanto, uma busca reversa localiza a mesma foto publicada em 4 de março de 2008 em um blog. O texto credita a imagem a “Carlos Eulefi”.

Ao pesquisar este nome, a equipe de checagem da AFP encontrou um perfil na plataforma Artstation em que ele se descreve como um “artista conceitual e ilustrador independente”. Em seu portfólio, é possível ver uma série de ilustrações digitais com personagens fictícios e, em sua conta no Facebook, ele afirma que vive em Santiago.

Por sua vez, em 20 de outubro, Carlos Eulafi desmentiu em sua conta no Instagram que a imagem retrate uma cena real e atual.

De fato, Eulafi aparece como um dos ilustradores do livro “Chile: Relación del Reyno 1495-2210” (Chile: Relação do Reino 1495-2210, em tradução livre).

Desde então, a imagem circula em diferentes portais (1, 2) com representações de cidades apocalípticas.

Em resumo, é falso que esta imagem aérea mostre o estado da cidade de Santiago durante os protestos que abalam o Chile atualmente. A foto é uma ilustração digital que circula ao menos desde 2008.

Anella Reta
AFP Brasil