Suposta fala de Soros sobre financiar "grupos de ódio negro" não foi publicada pelo Bild

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Publicações amplamente compartilhadas em redes sociais em meio aos protestos desencadeados pelo assassinato de George Floyd, no final de maio, nos Estados Unidos, asseguram que o bilionário George Soros disse ao jornal alemão Bild em 2014 que iria “derrubar os Estados Unidos financiando grupos de ódio negro”. No entanto, Soros nunca disse isso ao Bild, nem a nenhum outro veículo, e a organização que fundou nega ter relação com estas manifestações.

“Vou derrubar os Estados Unidos financiando grupos de ódio negro. Vamos colocá-los em uma armadilha mental e fazê-los culpar os brancos. A comunidade negra é a mais fácil de manipular”, diz a frase atribuída ao bilionário norte-americano de origem húngara em publicações compartilhadas desde o último dia 30 de maio no Facebook (1, 2, 3), Twitter (1, 2, 3) e Instagram.

As postagens, às vezes acompanhadas por uma foto de Soros, detalham que a declaração foi dada ao jornal alemão Bild, em setembro de 2014.

A suposta fala do investidor também foi amplamente compartilhada em inglês e espanhol

Captura de tela feita em 22 de junho de 2020 mostra alegação publicada no Facebook

Soros foi entrevistado pelo Bild em 2014?

Buscas no site do Bild e no Google por artigos publicados pelo veículo em 2014 só localizam uma menção a Soros em um texto sobre insultos comumente utilizados por políticos búlgaros.

Outra busca no Google pela suposta fala “Vou derrubar os Estados Unidos financiando grupos de ódio negro”, em inglês e alemão, não levou a resultados publicados no Bild, nem em nenhum outro meio de comunicação.

Consultado pela equipe de checagem da AFP, um porta-voz do Bild confirmou por e-mail que “não houve nenhuma entrevista com George Soros no Bild ou no Bild.de em 2014”. “Em outros artigos ou entrevistas no Bild com George Soros não foi encontrada essa citação. O meme é definitivamente falso”, acrescentou.

Declaração da Open Society Foundations

Devido à viralização da suposta fala de Soros, sua organização filantrópica, a Open Society Foundations, negou no Facebook e Twitter qualquer tipo de financiamento dos protestos realizados nos Estados Unidos após a morte de George Floyd, um homem negro, provocada por um policial branco em Minneapolis, no último dia 25 de maio.

“Nós não pagamos manifestantes. Nosso fundador George Soros também não”, diz a mensagem. “Estas alegações servem para deslegitimar aqueles que estão exercendo o seu direito, protegido pela Constituição, de protestar pacificamente e de pedir ao seu governo a reparação de injustiças”.

Em resumo, é falso que George Soros tenha dito em entrevista ao Bild em 2014 que financiaria “grupos de ódio negro” para “derrubar os Estados Unidos”. A equipe de checagem da AFP tampouco encontrou registros de que o investidor tenha dado tal declaração a outros veículos e sua fundação negou ter financiado os protestos antirracismo realizados neste país.

 
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