Repasse para escolas de samba foi anunciado pela Prefeitura, não pelo governo estadual de SP

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Publicações compartilhadas centenas de vezes em redes sociais desde meados de fevereiro asseguram que o governador do estado de São Paulo, João Doria, repassou R$ 33 milhões a escolas de samba em 2021, apesar das festividades de Carnaval terem sido canceladas devido à pandemia de covid-19. A alegação é enganosa. A transferência ao setor foi anunciada, mas pela Prefeitura da cidade de São Paulo, chefiada por Bruno Covas, e não pelo governo de Doria.

“Mesmo sem Carnaval Dória repassa 33 milhões para escolas de samba”, diz texto que circula no Facebook (1, 2, 3) e Twitter ao menos desde 20 de fevereiro.

“Vagabundo”, criticou um usuário ao compartilhar a publicação, ilustrada com uma imagem manipulada para parecer que o governador de São Paulo usa uma fantasia de borboleta. 

Captura de tela feita em 22 de fevereiro de 2021 de uma publicação no Facebook

Realizado anualmente no sambódromo do Anhembi, o desfile das escolas de samba de São Paulo foi cancelado este ano para evitar aglomerações em um momento de combate à pandemia de covid-19. De maneira semelhante, não foram realizados os tradicionais desfiles do Rio de Janeiro.

Mesmo assim, foi anunciado que as escolas de samba de São Paulo receberão um repasse de R$ 33 milhões referente ao Carnaval de 2021. Esse valor não foi direcionado, contudo, pelo governador do estado, como dizem as publicações viralizadas.

O acordo foi firmado, na verdade, pela Prefeitura de São Paulo, como registrado no Diário Oficial da cidade em 12 de novembro de 2020.

“Autorizo, observadas as formalidades legais e cautelas de estilo, a contratação direta da SÃO PAULO TURISMO S/A [...] objetivando a prestação dos serviços de apoio institucional ao Carnaval Paulistano 2021, referentes às apresentações de espetáculos artísticos e culturais por agremiações, escolas, blocos e cordões carnavalescos, que envolverá despesas no valor total de R$ 33.338.680,22”, diz o texto publicado no jornal que divulga os atos oficiais da Prefeitura paulistana.

A decisão do órgão chefiado por Bruno Covas, e não Doria, foi amplamente noticiada pela mídia.

Procurada pela equipe de checagem da AFP, a Prefeitura de São Paulo confirmou ter firmado o acordo, mas destacou que isso ocorreu antes do cancelamento oficial do Carnaval da cidade deste ano.

De fato, quando o repasse foi primeiro publicado no Diário Oficial, em novembro de 2020, o Carnaval tinha sido apenas adiado, e a Prefeitura discutia a melhor data para sua realização.

“O Carnaval de São Paulo teve seu cancelamento anunciado no dia 12 de fevereiro. O contrato firmado com a SPTuris, ainda em 2020, é de R$ 33 milhões e neste momento estão sendo estudadas alternativas para aplicação nos desfiles de 2022”, disse a Prefeitura em nota.

Procurada em 22 de fevereiro, a assessoria de imprensa do governo de São Paulo negou ter ligação com essa transferência e afirmou não ter localizado qualquer outro repasse semelhante que poderia ser de responsabilidade do estado paulista.

Adversário político do presidente Jair Bolsonaro, João Doria tem sido alvo frequente de desinformação nas redes, muitas já verificadas pelo AFP Checamos (1, 2, 3).

AFP Brasil