O que se sabe sobre o homem que matou o cachorro no Carrefour de Osasco

Diversas versões viralizaram nas redes sociais depois de que um cachorro foi abatido em um supermercado da rede Carrefour em Osasco, região metropolitana de São Paulo. No entanto, algumas alegações sobre o episódio que indignou o país são falsas ou apresentadas sem evidências que as respaldem.

Captura de tela de uma publicação no Facebook, feita 7 de dezembro de 2018

“Esse é o segurança do Carrefour, assassino de animais, a empresa terceirizada é a CTS Vigilância e Segurança Privada contratada pelo Carrefour. Seu apelido é Ciro, compartilhem! Essa foto está nas mãos do Delegado Bruno, que cuida do caso”, diz a descrição de umas das publicações sobre o episódio que viralizaram no Facebook no Brasil.

Alguns internautas foram cautelosos com a informação. “Eu acho que, na época de notícias falsas com a qual convivemos, é muito delicado sair postando fotos de pessoas e associá-las a autores de crimes”, escreveu um usuário. Outras pessoas manifestaram revolta contra o suposto responsável pela morte do animal: “Que lhe façam o mesmo! É o que merece quem maltrata um ser inocente e indefeso.”

O homem mostrado nesta postagem ainda não foi identificado pela equipe de checagem da AFP.

CTS vigilância nega que o homem seja seu funcionário

Contatada pela AFP, a administração patrimonial do Grupo CTS negou que o segurança que agrediu o cachorro trabalhe na empresa. De acordo com uma funcionária, a empresa, sim, presta serviços ao Carrefour de Osasco. No entanto, os contratados da companhia realizam uma vigilância motorizada na área externa do supermercado. Segundo ela, há outras empresas de segurança trabalhando no estabelecimento.

A firma declarou que não existe nenhum Ciro trabalhando para a empresa e que o último empregado a ter este nome não faz parte dos quadros da CTS há mais de um ano. Diversos funcionários da companhia vêm recebendo ameaças nos últimos dias e um deles telefonou recentemente para a administração chorando e pedindo ajuda, contou.

Delegado Bruno Lima não é responsável pela investigação

Ao contrário do que afirmam publicações viralizadas nas redes sociais, o delegado da Polícia Civil Bruno Lima, recém-eleito deputado estadual pelo Partido Social Liberal (PSL), o mesmo de Jair Bolsonaro, não está encarregado, nem faz parte oficialmente da investigação. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo, a delegada Silvia Fagundes Teodoro é a única responsável pelo caso desde que as diligências foram iniciadas e qualquer participação de Lima seria informal.

“Moreno e alto”

Um vídeo disseminado nas redes sociais alega mostrar o acusado de espancar o cachorro deixando uma delegacia depois de prestar depoimento (ou de ser preso, segundo algumas versões). Comparamos o local onde o vídeo foi feito com os arredores da Delegacia de Polícia de Investigações sobre Infrações contra o Meio Ambiente e Setor de Produtos Controlados (DIICMA) Seccional de Osasco, onde, segundo a secretaria de segurança pública do estado, os supostos envolvidos no crime estão sendo ouvidos. O vídeo realmente foi feito na Rua Virginia Aurora Rodrigues em Osasco, na porta de delegacia.

Comparação de capturas do vídeo do suposto autor do crime saindo de uma delegacia e imagens do Google Maps

A equipe de checagem da AFP contatou comerciantes locais e os mesmos confirmaram que no dia 6 de dezembro de 2018 um homem “alto e moreno” “saiu [da delegacia], foi xingado pelo pessoal, entrou no carro e foi embora” por volta das 14h.

Um indivíduo de mesmo fenótipo é visto em gravações, alegadamente das câmeras de segurança do supermercado, divulgadas pela ativista defensora dos direitos animais, Luisa Mell. No entanto, as imagens não mostram o momento da agressão.

No vídeo, o homem é chamado de “Cleber”. A mesma informação foi transmitida pela emissora RedeTV na última quinta-feira. No entanto, nenhum nome foi confirmado pelas autoridades.

Homem acusado não foi preso

Diferentemente do que diversas postagens na internet afirmam, o suposto autor do crime não foi preso. Segundo as autoridades, até o momento nenhuma pessoa foi detida. A investigação ainda está em curso e “todos os envolvidos serão ou foram ouvidos”, informou a secretaria de segurança. 

AFP Brasil