O novo coronavírus não sobrevive em encomendas enviadas pelo correio

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Publicações compartilhadas milhares de vezes em redes sociais sugerem que o novo coronavírus pode ser transmitido através de encomendas enviadas pelo correio da China para outros países. A alegação, que serviu de base para postagens satíricas em múltiplos idiomas, é falsa. Segundo a OMS, o vírus só sobrevive algumas horas em superfícies porosas como papel e papelão.

“Bom dia pra vc q [sic] está esperando sua encomenda do Aliexpress diretamente da China trazendo um vírus mortal para nossa linda cidade”, diz publicação curtida centenas de vezes no Twitter desde 29 de janeiro deste ano.

“Minhas compras do AliexPress/Wish/Bangood/ [sites de e-commerce que vendem principalmente produtos fabricados na China] chegando com uma amostra grátis do Corona Virus [sic]”, diz outra postagem compartilhada no Facebook, junto com o trecho de um episódio da série Os Simpsons, no qual um funcionário de uma fábrica asiática espirra sobre um pacote, que é enviado à família protagonista, transmitindo uma doença a Homer Simpson.

A alegação soma mais de 5 mil compartilhamentos no Twitter (1, 2, 3) e Facebook (1, 2, 3), aparecendo principalmente em publicações com fundo satírico. Postagens semelhantes também circulam em inglês, espanhol e francês

Capturas de tela feitas em 3 de março de 2020 mostram publicações no Facebook

Mas um vírus realmente poderia sobreviver em uma caixa enviada da China?

O porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tarik Jasarevic, assinalou em um e-mail à AFP que não é possível: “Com base em análises anteriores de outros coronavírus sabemos que estes tipos de vírus não sobrevivem muito tempo na superfície. Portanto, é muito improvável que você contraia a COVID-19 simplesmente tocando a parte de fora de um pacote enviado da China, ou de outro país. Os vírus geralmente não podem sobreviver mais do que algumas horas em materiais porosos, como papel ou papelão”.

A médica Inmaculada Casas Flecha, secretária da Sociedade Espanhola de Virologia, deu uma resposta semelhante: “Os coronavírus têm um invólucro que é como uma membrana em forma de coroa - daí o nome coronavírus - extremamente sensível à luz ultravioleta. Qualquer vestígio de coronavírus que possa ter acabado em um pacote, ou objeto, desapareceria ao entrar em contato com a luz solar”.

Ela acrescentou também que “apenas os vírus ambientais, que são encontrados, por exemplo, em algumas águas, são viáveis fora dos organismos vivos. Mas nenhum vírus com invólucro, como o coronavírus, é viável no ambiente”.  

Ministério da Saúde do Brasil também desmentiu a possibilidade do vírus se manter vivo em pacotes enviados pelo correio da China. Em sua seção de combate à desinformação, a pasta explicou: “Os vírus geralmente não sobrevivem muito tempo fora do corpo de outros seres vivos, e o tempo de tráfego destes produtos costuma ser de muitos dias”.

O surto epidêmico da COVID-19 começou em dezembro de 2019 na cidade chinesa de Wuhan. Desde então, foram detectados mais de 80.000 casos de contágio e mais de 2.900 mortos na China continental. No restante do mundo, foram registrados mais de 12.000 casos da COVID-19, provocando a morte de 220 pessoas.

Em resumo, é falso que o novo coronavírus possa ser transmitido através de um pacote enviado pelo correio.

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