Não, a professora que salvou crianças de creche em incêndio não foi condecorada por Bolsonaro

A informação de que Heley Batista, a professora que morreu salvando crianças de um incêndio provocado em uma creche em Minas Gerais em 2017 foi condecorada pelo presidente Jair Bolsonaro do Partido Social Liberal (PSL) vem sendo compartilhada ativamente nas redes sociais e blogs no Brasil. No entanto, a informação é falsa. Não foi o político de extrema-direita que homenageou a professora.

Captura de tela da notícia falsa veiculada no site Ocongresso.com, feita 16 de janeiro de 2019

“Em reunião com ministros, o presidente Bolsonaro assinou uma declaração oficial, que condecora a professora Heley como heroína nacional. Emocionado, Bolsonaro elogiou a conduta da professora, que deu sua própria vida para salvar as crianças de sua creche”, diz uma publicação do blog O Congresso, compartilhada mais de 40.000 vezes desde que surgiu no dia 12 de janeiro de 2019.

No dia 6 de outubro de 2017, um segurança, que segundo as autoridades tinha problemas mentais, ateou fogo no edifício e em alunos de uma creche no município mineiro de Janaúba, a cerca de 600 quilômetros de Belo Horizonte. No incidente, uma professora e nove crianças morreram, assim como o autor do incêndio. Quarenta pessoas ficaram feridas.

Na verdade, foi o então presidente interino Michel Temer (2016-2018) quem, no dia 7 de outubro de 2017, condecorou Batista, a docente que morreu enquanto tentava salvar seus alunos do fogo. “Foi um gesto de coragem e heroísmo que tocou a todos”, disse o político do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Alegadamente, a professora teria lutado com o segurança responsável pelo incidente e ajudado a evacuar as crianças.

Heley de Abreu Silva Batista, falecida aos 43 anos, recebeu a Ordem Nacional do Mérito, uma das mais importantes homenagens distribuídas pelo governo brasileiro. Na ocasião, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República manifestou que a honraria é concedida a pessoas que serviram de exemplo de dedicação e serviço ao Brasil, “como a professora Heley Batista, que sacrificou sua própria vida para salvar a vida de seus alunos, em um gesto de coragem e de heroísmo que emocionou a todos”.

Favorável à legítima defesa, Bolsonaro assinou um decreto em 15 de janeiro que tornará mais flexível a posse de armas de fogo no país, cumprindo uma de suas principais promessas de campanha.

Ainda que o patriotismo também seja uma das bandeiras principais do novo presidente e capitão do Exército na reserva, a condecoração foi feita por ordem do antigo presidente Michel Temer, dias depois do episódio que tirou a vida da educadora de Minas Gerais em outubro de 2017.

AFP Brasil