Não, policial não foi estuprada e assassinada na zona norte do Rio de Janeiro

A informação de que uma policial militar foi violentada e esfaqueada até a morte na capital fluminense circula viralmente nas redes sociais e em blogs no Brasil. No entanto, a informação é falsa e a foto que ilustra a suposta sargento é de outra pessoa.

“A sargento Alana Benatti viveu uma madrugada de horrores nas primeiras horas do seu aniversário, ontem entre 3h e 5h. Oito menores infratores com idades entre 13 e 17 anos renderam a jovem militar quando ela estacionava seu carro na residência dos pais (...) a estupraram por duas horas consecutivas e depois deram 32 facadas no corpo da jovem.”, diz a publicação de um blog, datada na última segunda-feira, dia 21 de janeiro de 2019, e que foi compartilhada mais 13 mil vezes no Facebook.

Um grupo de policiais militares anda nas ruas da favela do Cantagalo, perto de Copacabana, 23 de abril de 2014 (AFP / Tasso Marcelo)

A versão alega que a suposta funcionária das forças de ordem foi morta no Cantagalo, que, na realidade, se localiza na zona sul do Rio de Janeiro, contrariamente do que diz a manchete.

Contatado pela AFP, um funcionário da assessoria de imprensa da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMRJ) esclareceu: “Desde o início do projeto [das Unidades de Polícia Pacificadora, em 2008] temos morte [de policiais] por confronto armado, mas sequestro e estupro não temos. Isso foi fake news. No Cantagalo, não tivemos nenhum policial morto.”

A PM do Rio de Janeiro também afirmou à AFP que não existe em seus quadros nenhuma sargento chamada Alana Benatti.

Da mesma forma, a foto que ilustra a história não é de uma membro da corporação. Trata-se de uma fotografia da famosa modelo italiana Giusy Ranucci, cuja morte em novembro de 2014, aos 22 anos, obteve ampla cobertura midiática por ter se dado por causas desconhecidas.

Crianças andam perto de soldados na favelo do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, 22 de agosto de 2018 (AFP / Carl de Souza)

A informação, atrelada a esta mesma fotografia, circula nas redes sociais brasileiras desde 2016 e foi desmentida, na época, por mais de um portal no Brasil.

A redução da maioridade penal no Brasil, atualmente fixada em 18 anos, é uma proposta apoiada pelo presidente Jair Bolsonaro, que manifestou, em uma entrevista ao Jornal da Band, ao ser indagado sobre uma mudança na legislação: “Se não for possível para 16, que seja para 17 [anos]”.

No Brasil, a maioria dos menores detidos é de negros (60%), de famílias extremamente pobres (66%), geralmente desestruturadas, e 51% não vai à escola, indica um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Ainda que a delinquência juvenil no Brasil seja uma realidade, a versão de que menores estupraram e assassinaram uma oficial da PM é falsa, e a imagem que ilustra a suposta jovem é na verdade de uma modelo italiana falecida em 2014.

AFP Brasil