Não, este tuíte não é de Carlos Bolsonaro

Um tuíte em que o vereador do Partido Social Liberal (PSL) Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, supostamente assume que o governo federal recém-empossado está roubando os cofres públicos circula na internet desde 17 de janeiro. Na verdade, o tuíte originou-se em uma conta falsa que faz paródia do político de extrema-direita.

“Agora sim apresentaram o plano de governo!”, diz a descrição de uma postagem no Facebook de um tuíte atribuído a Carlos, que diz: “Lembrem-se: O PT roubou mais! Nós estamos aqui faz 17 dias, temos que roubar por mais 12 anos e 337 dias para alguém reclamar”. Só no Twitter, a postagem foi compartilhada mais de 7 mil vezes.

A informação causou confusão entre os internautas. “Esse post é verdadeiro? Não é possível”, comentou uma usuária. Outro comentou: “(...) falou a verdade quanto à família de ladrões e corruptos Bolsonaros”.

Captura de tela do tuíte feito pela conta que faz paródia de Carlos Bolsonaro, feita 22 de janeiro de 2019

Na realidade, o post foi publicado em uma conta com nome semelhante ao do deputado estadual reeeleito, também do PSL. O perfil, no entanto, se chama “CariosBoisonaro” e se aproveita de uma vulnerabilidade na fonte padrão do Twitter, que facilita confundir a letra “i” maiúscula com a letra “l” minúscula.

Senador brasileiro pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro (e) e o vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, na cerimônia de diplomação de seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em Brasília, no dia 10 de dezembro de 2018. (AFP / Evaristo Sá)

A família Bolsonaro atualmente vive um momento de pressão na política. Flávio Bolsonaro, senador eleito e irmão de Carlos, integrante do mesmo partido, e primogênito do presidente recém-empossado, tem aparecido nas primeiras páginas dos jornais após ser mencionado em um relatório do Conselho de Atividades Financeiras (COAF). Segundo o documento, divulgado pelo Jornal Nacional, o senador teria recebido 48 depósitos em sua conta bancária, entre junho e julho de 2017, totalizando 96 mil reais.

Em dezembro de 2017, o COAF detectou movimentações atípicas na conta Fabrício Queiroz, ex-motorista e ex-assessor de Flávio na Assembléia Legislativa do estado do Rio de Janeiro (Alerj), onde então era deputado estadual. Na última quinta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux determinou a suspensão provisória da investigação. Uma das movimentações suspeitas é um depósito de 24 mil reais na conta de Michelle Bolsonaro, mulher do presidente.

Ainda que Flávio seja alvo de suspeita de lavagem de dinheiro, juntamente com seu ex-assessor, a informação de que seu irmão, Carlos, publicou um tuíte assumindo que o governo Bolsonaro é corrupto é inteiramente falsa e não passa de uma fabricação realizada por uma conta satírica.

AFP Brasil