Não, este vídeo não mostra a reação de familiares de vítimas de Brumadinho resgatadas com tecnologia israelense

Publicações disseminadas nas redes sociais depois da tragédia de Brumadinho alegam mostrar a reação de familiares de vítimas celebrando o resgate das mesmas com ajuda de tecnologia de Israel. Mas o contexto original do vídeo é outro.

Captura de tela do vídeo em questão, onde se pode notar a presença de um microfone da Rádio Itatiaia de Minas Gerais, feita 11 de fevereiro de 2019

"Tecnologia israelense ajuda encontrar 3 pessoas vivas. Quanto vale um presidente humilde para seu povo, que aceitou ajuda de uma nação amiga?”, diz a descrição de um vídeo assistido mais de 1 milhão de vezes no Facebook, desde que publicado no dia 30 de janeiro de 2019.

A equipe de checagem da AFP identificou o contexto real da situação ao analisar as imagens e contatar um meio de comunicação local que estava presente na cena. O vídeo foi gravado no último dia 28 de janeiro na Estação Conhecimento de Brumadinho, um centro de assistência às famílias dos afetados pela catástrofe, por Moisés Silva e foi publicado pelo jornal O Tempo.

 

Contatado pela AFP, o repórter Oswaldo Diniz, da Rádio Itatiaia, esclareceu: “É um delírio, é desinformação. O que acontece foi que aquele homem (...) recebeu uma ligação (...) e ele entendeu errado. Ele entendeu que sua filha tinha sido encontrada (...) Logo depois ele recebe outra ligação e, em uma conversa mais tranquila, entende que foi o celular dela que encontraram, não a jovem. Tudo que era euforia, volta a ser frustração e angústia”.

Presidente Jair Bolsonaro (D) e o Primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahi em uma sinagoga em Copacabana, no Rio de Janeiro, Brasil, 28 de dezembro de 2018 (AFP / POOL / Leo Correa)

Diniz também afirmou que o pai de Natália, a vítima em questão, “recebeu a ligação não dos bombeiros, não de fonte oficial, mas da própria família dele”. O homem é identificado no vídeo por usar uma camisa do clube Atlético Mineiro e ser felicitado na ocasião por, entre outros, o próprio repórter.

Nathalia de Oliveira Porto Araújo, segundo uma lista divulgada pela Vale, a companhia responsável pela barragem que se rompeu, continua desaparecida.

A barragem I da Mina do Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, estado de Minas Gerais, cerca de 60 quilômetros da capital Belo Horizonte, se rompeu no último 25 de janeiro, deixando 157 mortos e 182 desaparecidos segundo o último balanço.

Um contingente de 136 tropas israelenses concluiu no último 31 de janeiro de 2019 sua missão de apoio no resgate em Brumadinho. O grupo havia chegado quatro días antes com 16 toneladas de equipamentos para reforçar as operações de busca.

Ainda que o Brasil tenha recebido ajuda de Israel nas operações de resgate, o vídeo que vem sendo disseminado como o momento em que familiares recebem a notícia de que uma vítima foi encontrada, com tecnologia israelense, é enganoso. Na realidade, ele mostra um homem que recebeu uma ligação de seus familiares e erroneamente achou que sua filha havia sido resgatada.

A equipe de checagem da AFP no Brasil desmentiu diversas informações relacionadas à tragédia de Brumadinho.

AFP Brasil