Não, este vídeo não mostra o comitê do PT em Santa Catarina sendo invadido pela polícia

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Um vídeo publicado nas redes sociais alega mostrar a Polícia Militar invadindo o comitê de campanha do Partido dos Trabalhadores (PT) em Santa Catarina em busca de panfletos com a foto de Lula como candidato à presidência. As imagens foram tiradas de contexto e não guardam nenhuma relação com esta versão.

O vídeo, assistido mais de 50.000 vezes, mostra policiais invadindo uma residência cuja porta tem um adesivo da campanha presidencial do PT. “Polícia invade comitê do PT em Santa Catarina ...entregavam panfletos com a foto de LULA para presidente”, diz a descrição de uma das publicações. Um internauta comenta: “Quadrilha desgraçada...tudo pelo poder....não tem respeito com nada...são sujos”.

Desde que a candidatura de Lula foi impedida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no último dia 31 de agosto, Fernando Haddad é o candidato do PT e Manuela d´Avila (PCdoB) a vice da chapa.

Checamos a informação. O vídeo foi gravado na tarde da última terça-feira, 25 de setembro, por volta das 15h00, no centro histórico de Laguna, em Santa Catarina,  cerca de 120 quilômetros ao sul da capital Florianópolis. Precisamente, o evento se deu na altura do número 33 da Rua Raulino Horn. A Polícia Militar invadiu a residência, na parte de cima de uma loja, e prendeu duas jovens por desacato. A corporação havia recebido denúncias de uma festa com som alto no local.

Comparação de um fragmento do vídeo com informação sobre o número telefônico destacado, feita 27 de setembro de 2018

“Essas estudantes já tinham histórico de ficar mostrando partes íntimas, usando drogas e escutando som alto, gerando perturbação do trabalho e sossego alheio (dos comerciantes vizinhos e de pessoas que passam por ali). O comerciante gerou a ocorrência após vários clientes reclamarem do fato. A GU [Guarda Urbana] tentou negociar com as estudantes, mas não teve êxito, por este motivo teve que arrombar a porta”, declarou um assessor da Polícia Militar.

Captura de tela de um vídeo no Facebook disseminando a informação enganosa, feita 28 de setembro de 2018

Segundo o mesmo, o evento não teve motivações políticas. “Não tem nada a ver com o recolhimento de materiais da campanha do Lula. Era um caso de perturbação do sossego alheio, em que coincidiu o fato das moradoras serem militantes do PT, mas não tem nada a ver com situação política”, declarou.

Ironicamente, no mesmo dia, o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) determinou a busca e apreensão de materiais de campanha eleitoral nos quais Lula é apresentado como candidato à presidência. Em sua decisão, o juiz auxiliar Antônio Schenkel do Amaral e Silva menciona que é crime “divulgar, na propaganda, fatos que sabe inverídicos, em relação a partidos ou candidatos e capazes de exercerem influência perante o eleitorado”. A ordem foi executada em 6 cidades, as quais não incluem Laguna. Elas são: Chapecó, São João, Mafra, Blumenau , Araranguá e Florianópolis.

“O Partido dos Trabalhadores de Santa Catarina e a campanha Ana Paula Lima Federal 1313 esclarecem que o material impresso constando o ex-presidente Lula foi contratado, executado e pago no início da campanha, no dia 15 de agosto”, diz a nota de imprensa divulgada no dia 26 de setembro pela assessoria jurídica da candidata.

Vídeo apresentando o contexto original:

Ainda que os comitês de campanha dos petistas Ana Paula Lima e Claudio Vignatti, candidato a deputado federal, tenham sido buscados pelas forças da ordem naquele dia em Blumenau e Chapecó, respectivamente, o vídeo mostra um evento não relacionado e ocorrido em outra cidade catarinense.

Esta investigação foi realizada com apoio do Projeto Comprova. Participaram jornalistas da AFP, Poder360 e Jornal do Commercio.

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