Captura de tela de uma publicação disseminando uma notícia enganosa, 23 de agosto de 2018 (Reclame Boca / AFP)

Não, esta mulher não é uma freira que foi atacada na Bolívia

Publicações nas redes sociais do Brasil que mostram a foto de uma uma freira atacada em um povoado na Bolívia vêm circulando viralmente. A imagem está fora de contexto: a mulher apresentada não é uma religiosa andina.

Captura de tela de uma publicação no Facebook disseminando a notícia enganosa, 23 de agosto de 2018 (Facebook / AFP)
 

As notícias (1, 2) mostrando esta foto são de agosto de 2018 e afirmavam retratar um caso que ocorreu em agosto de 2016. No dia 1 de setembro daquele ano, a AFP reportou que uma freira de 81 anos havia sido sequestrada e abusada sexualmente por quatro indivíduos em um povoado boliviano a 90 km de La Paz, capital da Bolívia.

Contatada pela AFP nesta quarta-feira, a Conferência Episcopal Boliviana declarou que não houve registros fotográficos do crime ou da situação da freira depois do mesmo. Também informou que os indivíduos presos na época, estudantes de uma universidade católica em Coroico, a 15 quilómetros de Carmen Pampa, já foram sentenciados.

No entanto, a foto usada para ilustrar a notícia é de setembro de 2017. A pessoa retratada é Zainab al-Sayed Mahfouz, uma egípcia que morreu aos 85 anos em um hospital em Port Said, na costa mediterrânea, depois de um acidente vascular cerebral. Na época, circulou a falsa notícia de que a idosa teria morrido por haver sido espancada por seu filho a pedido da esposa. A família de Zainab foi obrigada a lançar uma campanha para esclarecer o verdadeiro motivo de seu falecimento.

Segundo sua filha Raja Al-Arabi, a presença de hematomas em seu rosto se explicaria por ter caído no chão ao ter o AVC. A queda teria quebrado seus óculos, e os estilhaços das lentes a feriram.

Uma foto verdadeira da idosa falecida foi utilizada para disseminar a falsa informação sobre seu suposto assassinato e para ilustrar a informação real, mas fora de contexto, sobre o incidente envolvendo a freira boliviana.

AFP Brasil