Captura de tela de um tweet disseminando a informação falsa, feita 31 de julho de 2018. (Twitter / AFP)

Não, esta foto não é de uma praia na China

Uma foto que mostra uma maré humana, supostamente em uma praia da China, se tornou viral nas redes sociais recentemente. Para alguns, não passou de uma brincadeira, mas para outros foi uma prova dos desastres causados pelo fenômeno da superpopulação. Na realidade, se trata de uma conhecida imagem registrada no Rio de Janeiro, em 2013, horas antes da missa que o Papa Francisco celebrou na orla carioca.

“Se você perder seu filho numa praia da China, não procure, faça outro!”, diz uma publicação acompanhada da foto de uma praia extremamente lotada. Esta informação foi compartilhada por diversas contas milhares de vezes.

No entanto, não se trata de uma praia chinesa, mas de Copacabana. A foto foi tirada em 2013 durante a Jornada Mundial da Juventude, um evento anual que reúne jovens católicos do mundo todo. Podemos identificar os toldos brancos e azuis da praia, assim como os telões gigantes que transmitiam a missa papal neste vídeo abaixo.

Esta foto da AFP, de 28 de julho de 2013, também mostra uma visão panorâmica do evento.

Centenas de milhares de pessoas se aglomeram na praia de Copacabana no Rio de Janeiro esperando a chegada do Papa Francisco para a missa final de sua visita ao Brasil. 28 de julho de 2013.Centenas de milhares de pessoas se aglomeram na praia de Copacabana no Rio de Janeiro esperando a chegada do Papa Francisco para a missa final de sua visita ao Brasil. 28 de julho de 2013. (AFP / Vanderlei Almeida)

As pessoas retratadas na foto não são banhistas e a cena é incomum. Na ocasião, cerca de 3 milhões de fiéis estavam presentes na orla. Isso não impediu que usuários do Facebook e do Twitter, baseados na imagem, se expressassem sobre o problema da superpopulação na China. Em uma publicação australiana que foi compartilhada mais de 1.700 vezes, por exemplo, o comentário mais popular diz “Eles superpovoaram e destruíram seu próprio país, vamos impedir que isso ocorra na Austrália”.