Não, depois das eleições, Haddad não disse que Lula irá acompanhá-lo no Planalto

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Uma postagem sugerindo que o candidato à presidência pelo Partido dos Trabalhadores (PT) Fernando Haddad disse que Lula subirá a rampa do Palácio do Planalto com ele em 1º de Janeiro de 2019, data em que assumirá o novo presidente do Brasil, circula viralmente nas redes sociais desde o último dia 8 de outubro. No entanto, a informação é falsa, e o vídeo foi manipulado e tirado de contexto.

Captura de tela de uma publicação no Facebook disseminando a informação falsa, feita 9 de outubro de 2018

Uma das publicações que começaram a circular um dia depois da jornada eleitoral de 7 de outubro, que teve 1,2 milhão de visualizações e 50 mil compartilhamentos, afirma: “Olha o que o Haddad falou hoje ao sair da PF de Curitiba! Promessa de campanha: o Lula subir a rampa com ele em 01.01.19! Isso é uma afronta aos brasileiros de bem!”. A conta de Facebook do Partido Social Liberal (PSL) no Rio de Janeiro, formação do presidenciável com mais votos no primeiro turno, o político de extrema direita Jair Bolsonaro, foi uma das que viralizou a informação.

Teria Haddad feito tal declaração neste contexto? O vídeo na verdade foi publicado pela conta oficial no Twitter do ex-presidente Lula no dia 6 de agosto de 2018, dois dias após o PT definir a candidatura de Lula em convenção partidária. Nele, o candidato disse: “Acabamos de montar as coligações em torno à candidatura do Lula (...) Vamos no dia 15 levar para o TSE. Eu tenho certeza que o povo brasileiro vai estar cada vez mais engajado nesta campanha fazendo o Lula, nosso presidente, subir a rampa com ele no dia 1o de janeiro [de 2019]”.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) só reconheceu a inelegibilidade de Lula quase um mês depois, no início de setembro, e Haddad só assumiu a posição de candidato a presidente pelo PT, com Manuela d'Ávila, do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) como vice, no dia 11 daquele mês.

A afirmação de que Haddad teria se pronunciado no dia 8 de outubro é falsa e o vídeo que serve de evidência para a mesma tem cerca de 25 segundos a menos que a gravação original.

É possível constatar que não se trata de uma promessa de campanha sobre a libertação do líder petista da prisão, mas de uma declaração de anseio para que a candidatura de Lula fosse deferida, o que não aconteceu.

AFP Brasil