É enganoso afirmar que Bolsonaro doou milhões de reais em "apoio ao golpe" na Venezuela

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Uma matéria compartilhada mais de mil vezes nas redes sociais desde que foi publicada, em 30 de abril de 2019, alega que o presidente Jair Bolsonaro aprovou a concessão de um crédito no valor de quase 224 milhões de reais em “apoio ao golpe na Venezuela”. Contudo, a medida provisória publicada indica que o valor é destinado à assistência e ao acolhimento humanitário.

“O mandatário do Brasil, que durante anos criticou o empréstimo de dinheiro do BNDES para apoiar investimentos no exterior, onde operariam empresas brasileiras e gerariam recursos para o país, fez algo grave. Aprovou uma linha de crédito suplementar de R$ 224 milhões para apoiar o golpe na Venezuela”, diz um trecho do artigo viralizado no Facebook.

Este também assinala que “a íntegra da MP [Medida Provisória] 880” constaria na matéria. Entretanto, falta uma parte importante mostrando para onde foi destinado este dinheiro: “Assistência emergencial e acolhimento humanitário de pessoas advindas da República Bolivariana da Venezuela - Nacional (Crédito Extraordinário)”, como é possível observar no site oficial do governo.

Captura de tela feita em 3 de maio de 2019 mostra a íntegra da Medida Provisória 880, publicada em 30 de abril deste ano

Na data da publicação da MP, 30 de abril, o opositor Juan Guaidó tentou obter apoio - sem êxito - a uma rebelião militar para destituir o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Neste mesmo dia, um grupo de 25 militares venezuelanos pediu asilo na embaixada do Brasil em Caracas, segundo o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros. “São 25 militares, tenentes e soldados. Não há oficiais de alta patente neste primeiro grupo”, destacou.

Também assinalou que até o momento havia cerca de 70 militares venezuelanos que fugiram para o território brasileiro.

Em resumo, os registros a respeito da concessão do crédito de quase 224 milhões de reais em favor do Ministério da Defesa são para ajuda emergencial e acolhimento humanitário, sem qualquer evidência de um possível apoio ao “golpe” na Venezuela.

AFP Brasil