Coca-Cola anunciou embalagens menores para se adaptar à inflação global, não por “perda do poder de compra” no Brasil

  • Publicado em 12 de maio de 2026 às 21:54
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Em abril de 2026, a Coca-Cola anunciou uma estratégia de mercado que prevê o lançamento de versões menores, como de 1,25 litro, de alguns de seus produtos. Pouco depois, postagens com mais de 60 mil interações nas redes sociais passaram a afirmar que a medida teria relação com uma suposta “perda do poder de compra” no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas isso é enganoso. Segundo o CEO da Coca-Cola, as mudanças são em resposta à inflação mundial, especialmente nos Estados Unidos. À AFP, a empresa afirmou que a versão de 1,25 litro não tem previsão de lançamento no Brasil.

As publicações virais afirmam que a Coca-Cola iria substituir da garrafa de 2 litros do refrigerante para uma de 1,25 litros “para o brasileiro conseguir comprar”.

Os posts, que circulam no Facebook, no Instagram, no X, no Threads, no TikTok e no Kwai, associam a suposta mudança a um alegado mau desempenho econômico do governo Lula, ilustrando a notícia com imagens do presidente ou com o slogan “Faz o L”

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Captura de tela feita em 11 de maio de 2026 de uma publicação no Facebook (.)

As postagens passaram a circular após o CEO da Coca-Cola, o brasileiro Henrique Braun, afirmar, em entrevista ao The Wall Street Journal em abril deste ano, que a empresa vai reduzir as embalagens de alguns produtos, como forma de contornar a queda no consumo provocada pela inflação. A ideia é manter os níveis altos de vendas, com produtos menores e mais acessíveis ao consumidor.

Entre os produtos, o executivo mencionou o lançamento da garrafa de 1,25 litros, pensada como uma opção mais acessível para o consumo em casa. As mudanças também contemplaram o lançamento de mini-latas e dos chamados “multipacks”, que se tornaram populares em países da América do Norte.

No entanto, o CEO afirmou ao veículo que as medidas foram pensadas em resposta aos impactos da inflação em todo o mundo — especialmente nos Estados Unidos — e não são, portanto, exclusivas para o Brasil. 

Em contato com o AFP Checamos, a Coca-Cola informou que está promovendo “um ajuste da estratégia global de embalagens, para atender a todos os bolsos e ocasiões de consumo”. A medida, segundo a empresa, faz parte de uma estratégia adotada há muitos anos, “algo que a Coca-Cola sempre fez e continuará fazendo”.

Mas a companhia negou que pretende remover a garrafa de 2 litros do mercado brasileiro ou substituí-la por um produto menor, como afirmam as postagens viralizadas.

“A embalagem de 1,25 já fez parte do portfólio do Sistema Coca-Cola por volta de 2010, de forma pontual em algumas regiões, mas foi descontinuada por decisão operacional. Atualmente, não há previsão de retorno ou de lançamento desse formato no Brasil”.

Relatórios financeiros divulgados pela empresa também contrariam as alegações virais, uma vez que mostram um crescimento de vendas no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025.

No Brasil, especificamente, o relatório aponta um crescimento de dois dígitos no volume de vendas da marca Sprite, impulsionado pelo Carnaval e por festivais de verão, e menciona ganhos de valor de mercado com a participação em vendas de bebidas não alcoólicas no Brasil e na Argentina.

No relatório sobre o acumulado de 2025, a empresa já havia apontado o crescimento no volume de vendas no Brasil, que compensou a queda registrada nos índices de países como México, Estados Unidos e Tailândia.

Em uma teleconferência realizada no final de abril, o CEO da empresa afirmou que o bom resultado obtido pela Coca-Cola no mercado brasileiro também tem contribuído para sustentar as vendas na América do Sul.

Conteúdo semelhante foi verificado por Aos Fatos.

Referências

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