Remoção de mural de Che Guevara em Buenos Aires foi provocada por despejo em 2025, não por ordem de Milei
- Publicado em 7 de maio de 2026 às 18:05
- 2 minutos de leitura
- Por Sofia BARRAGAN, AFP Argentina
- Tradução e adaptação AFP Brasil
O presidente argentino Javier Milei é reconhecido por se manifestar contra ideais do comunismo e socialismo. Nesse contexto, um vídeo circula desde 10 de abril de 2026 mostrando funcionários apagando um mural do guerrilheiro “Che” Guevara em Buenos Aires, como se mostrasse uma ação do governo para remover símbolos comunistas no país. Mas a gravação, que soma mais de 150 mil interações nas redes sociais, mostra um ato de limpeza de muros após um despejo em 2025. Não há registros de uma política do governo argentino que ordene especificamente a remoção da iconografia comunista no país.
“O governo de Javier Milei deu início à remoção de símbolos e propagandas associadas ao comunismo em espaços públicos de diversas cidades da Argentina”, dizem publicações que acompanham a sequência viral no Facebook, no Instagram e no TikTok.
Postagens semelhantes também circulam em espanhol.
Milei frequentemente se declara contrário a ideias de “esquerda” e durante sua campanha presidencial em 2023 prometeu não fazer negócios “com nenhum comunista”. Em sua recente participação em Davos, Milei também declarou que o socialismo “sempre acaba mal, horrivelmente mal”.
Apesar de não ter determinado nenhuma política para a remoção de símbolos da “esquerda”, o governo Milei já adotou medidas para a retirada de iconografias da oposição no país. Por exemplo, em 2024, mudou o nome do então “Centro Cultural Kirchner”, em memória ao ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), para “Palácio da Liberdade”.
Uma busca reversa por fragmentos da sequência viral levou a uma versão maior do vídeo publicada em 22 de agosto de 2025 pelo chefe do governo de Buenos Aires, Jorge Macri, no X. Aos 32 segundos, é possível ver o trecho viral.
“Despejo número 399. Hoje recuperamos um prédio em San Telmo que estava usurpado há 12 anos pelo partido político MIJD. Na cidade, a propriedade se respeita”, diz a legenda da publicação de Macri, membro do partido de oposição PRO, mas que já falou sobre a possibilidade de uma aliança eleitoral com a La Libertad Avanza, partido de Milei, para as eleições presidenciais de 2027.
O vídeo também foi compartilhado em sua conta oficial no Instagram. O despejo foi reportado por portais da mídia argentina no mesmo período (1, 2, 3).
Uma busca por palavras-chave no Google com os termos “comunismo”, “símbolos”, “proibido”, “governo”, “Milei” e “Argentina”, não levou a nenhuma medida oficial deste teor imposta no país.
Em dezembro de 2024, o governo argentino publicou o Decreto 1084/2024, que proíbe a “exibição, colocação ou difusão de imagens, símbolos, obras ou qualquer outra referência pessoal que possa ser interpretada como uma forma de propaganda política partidária ou de culto à personalidade em edifícios e obras públicas, repartições, monumentos e outros bens materiais e imateriais pertencentes ao ESTADO NACIONAL”.
O AFP Checamos já verificou outras alegações sobre o guerrilheiro argentino “Che” Guevara (1, 2).
Referências
- Vídeos publicados por Macri em 2025 (1, 2)
- Decreto 1084/2024
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