É falso que homem islâmico tenha sido preso por explosão de bomba na Ilha do Governador; caso segue em investigação
- Publicado em 26 de março de 2026 às 21:23
- Atualizado em 26 de março de 2026 às 21:27
- 2 minutos de leitura
- Por Laura ABREU
Em 20 de março de 2026, uma bomba caseira foi deixada em uma mochila em um ponto de ônibus na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, e explodiu causando ferimentos em oito pessoas. Diante disso, publicações nas redes sociais visualizadas mais de 600 mil vezes alegam que um homem islâmico teria sido preso pelo ocorrência. No entanto, o artefato explodiu após uma das vítimas manusear a mochila e nenhum suspeito foi preso, como confirmou a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro à AFP. O caso segue em investigação.
“COMEÇOU ATENTADOS TERRORISTAS NO BRASIL. Uma bomba explodiu deixando 8 feridos no RJ em um ponto de ônibus! Homem preso é islâmico”, diz a legenda sobreposta a um vídeo que circula no Instagram, no Facebook, no X, no YouTube e no TikTok.
Uma busca no Google pelos termos “bomba”, “Rio de Janeiro” e “oito feridos” levou a diferentes notícias (1, 2, 3, 4) sobre um explosivo que foi deixado em uma mochila em um ponto de ônibus na Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro, no último dia 20 de março.
Segundo o noticiado, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro informou que uma bomba caseira feita com pólvora e materiais comuns foi detonada após um motorista de ônibus manusear a mochila em que ela estava. Oito pessoas ficaram feridas pela explosão, sendo duas em estado grave.
As vítimas foram atendidas pelo Corpo de Bombeiros e a PM, junto do esquadrão antibombas, foi acionada para atender a ocorrência, que foi registrada na 37ª Delegacia de Polícia (Ilha do Governador).
O vídeo utilizado no conteúdo viral, de fato, mostra a equipe de bombeiros nesse contexto, conforme divulgado pela imprensa (1, 2).
Mas nenhuma das notícias reporta a prisão de um suposto “homem islâmico” ou de qualquer individuo pelo ocorrido.
Em contato com o Checamos em 25 de março de 2026, a assessoria de comunicação da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro informou que “não procede” o alegado pelas peças de desinformação e que “não tem ninguém preso pela ocorrência”.
A assessoria também ressaltou que a bomba explodiu após uma das vítimas manusear a mochila e que o caso segue em investigação pela Polícia Civil para identificar o responsável pela mochila com o artefato.
A assessoria também ressaltou que a bomba explodiu após uma das vítimas manusear a mochila e que o caso segue em investigação pela Polícia Civil para identificar o responsável pela mochila com o artefato.
As legendas de algumas publicações também citam que o suposto “atentado terrorista” seria uma retaliação iraniana após o Brasil supostamente ceder a base aérea de Anápolis, em Goiás, ao governo norte-americano em meio à guerra conjunta com Israel contra o Irã.
Mas uma busca nos sites da Presidência do Brasil, da Casa Branca e da Força Aérea Brasileira não encontrou nenhuma notícia sobre o suposto uso da base militar brasileira pelos Estados Unidos.
O governo brasileiro se mantém como um crítico da guerra e condenou ataques dos EUA ao Irã.
A Secretaria de Comunicação do governo federal confirmou ao Checamos, em 26 de março, que o conteúdo é falso, uma vez que “não houve qualquer decisão do Governo do Brasil nesse sentido”.
Referências
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