Brasil desistiu de candidatura para eleição da comissão de direitos humanos da OEA para apoiar candidato mexicano
- Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 19:39
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- Por AFP Brasil
Em julho de 2025, o candidato mexicano José Luis Caballero Ochoa foi eleito para ocupar a terceira cadeira vaga para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA). Desde o início de fevereiro de 2026, publicações nas redes sociais com mais de seis mil interações alegam que o Brasil perdeu a vaga dessa eleição para o México por ter sido classificado como um “país governado por um ditador”. No entanto, o governo brasileiro desistiu da candidatura para apoiar o representante mexicano após um acordo diplomático entre os países.
“O Brasil foi classificado pela OEA, como um país governado por um ditador ! Não fará parte da comissão de Direto”, diz um conteúdo compartilhado no Instagram, no Facebook, no X, no Threads, no TikTok e no Kwai.
O conteúdo, que leva uma imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também alega que “por 23 votos a 3, o Brasil perdeu a vaga na eleição para a comissão de direitos humanos da OEA”.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA é um órgão que atua para promover a promoção e a proteção dos direitos humanos, e possui sete comissários eletivos dos países membros.
Uma busca no Google pelos termos “Brasil”, “eleição” e “OEA” levou a diferentes notícias sobre a eleição para a comissão publicadas no dia do pleito, em 11 de julho de 2025 (1, 2, 3).
Segundo a imprensa nacional, o Brasil concorria a uma vaga para integrar a comissão, mas desistiu da candidatura de Fábio de Sá e Silva após um acordo firmado com o México para reeleger o seu candidato, José Luis Caballero Ochoa.
As notícias apontam que o acordo entre o Itamaraty e a diplomacia mexicana se deu para colocar fim ao impasse da eleição, que teve outras rodadas de votação sem resultado definido.
De acordo com as normas da eleição, os candidatos devem alcançar a maioria absoluta de votos entre os países membros para serem eleitos. A organização conta com 35 membros — embora apenas 32 estejam ativos, após a suspensão de Venezuela, Nicarágua e Cuba — o que significa um mínimo de 18 votos necessários. Na eleição de 2025, três cadeiras foram renovadas para mandatos de 2026 a 2029.
Na primeira rodada da disputa entre o candidato brasileiro e o mexicano, Sá e Silva havia alcançado 16 votos e Ochoa, 17. Na segunda e na terceira votação, o Brasil teve 15 apoios contra 14 do México. Na quarta votação, o candidato brasileiro aumentou 1 voto e alcançou 16 votos contra 15 do mexicano, com uma cédula em branco.
Por fim, o Itamaraty desistiu da candidatura do brasileiro e o mexicano foi eleito com o apoio de 23 países. Mesmo com a desistência, o brasileiro ainda recebeu 3 votos. As outras duas cadeiras vagas na comissão foram ocupadas pela candidata norte-americana, Rosa María Payá, e a de Bahamas, Marion Bethel.
A candidatura de Sá e Silva foi apresentada em maio de 2025 pelo Ministério das Relações Exteriores e tinha o apoio de parlamentares da Comissão de Relações Exteriores do Senado, que cobraram o Itamaraty sobre a desistência.
O Checamos não localizou notícias ou comunicados da OEA que classifiquem o Brasil como um país governado por um ditador, como apontam as peças de desinformação.
Em 2025, na atual gestão de Lula, o Brasil foi designado como presidente do conselho permanente da OEA.
Esse conteúdo também foi verificado por UOL Confere e pela Agência Lupa.
Referências
- Notícias sobre a desistência do Brasil na eleição (1, 2)
- Perfil do candidato Fábio de Sá e Silva
- Perfil do candidato José Luis Caballero Ochoa
- Regulamento da OEA
- Notícia sobre cobrança do Congresso ao Itamaraty
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