CPMI do INSS não concluiu que alfaiate recebeu R$ 31 milhões de Lula

  • Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 16:47
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Em novembro de 2025, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ouviu um empresário e alfaiate, João Camargo, acusado de ter recebido R$ 31 milhões de uma associação envolvida no esquema. Um trecho do depoimento foi compartilhado mais de 5 mil vezes desde 6 de fevereiro de 2026, alegando que Camargo teria recebido o valor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa, no entanto, não foi a conclusão da CPMI. Além disso, o Checamos não encontrou nenhuma relação entre as empresas de Camargo e o presidente.

Alfaiate do Lula recebeu 31 milhões para fazer terno”, lê-se em um vídeo compartilhado no no TikTok, no Kwai, no Facebook, no Instagram e no X.

Na gravação, a deputada coronel Fernanda (PL-MT) questiona um homem se ele já fez ternos para o presidente Lula e para a primeira-dama Janja e ele não responde à pergunta. Em seguida, ela questiona quanto custa um dos ternos feitos pelo interrogado e diz: “31 milhões foi o que o senhor recebeu. Vou colocar aqui R$ 50 mil reais. O senhor vendeu 620 ternos a R$ 50 mil para o senhor ter recebido esses R$ 31 milhões”.

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Captura de tela feita em 9 de fevereiro de 2026 de uma publicação no X (.)

Entretanto, a deputada não afirmou que os R$ 31 milhões mencionados foram pagos por Lula.

Por meio de uma busca por palavras-chave, o Checamos localizou o vídeo original, retirado de um depoimento da CPMI do INSS transmitido em novembro de 2025. Na ocasião, os parlamentares ouviram o empresário João Carlos Camargo Júnior, conhecido como “alfaiate dos famosos”.

Segundo as investigações, os R$ 31 milhões teriam sido pagos a uma empresa de consultoria fundada por Camargo, a MKT Connection Group, pela Associação Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB) — apontada como uma das envolvidas na fraude do INSS. O empresário foi questionado sobre quais tipo de serviços foram prestados, mas não respondeu.

Já por meio de sua empresa de alfaiataria, Camargo ainda teria recebido R$ 1,7 milhão da mesma entidade.

Na íntegra de seu depoimento para a CPMI, é possível ver que a deputada não acusa Lula de ter pago R$ 31 milhões ao alfaiate, mas questiona se Camargo teria alguma relação com o presidente, com outros políticos do PT ou com integrantes do governo federal.

O Checamos consultou na ferramenta CruzaGrafos, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), as ligações entre a ABCB e as empresas de Camargo. De fato, os empreendimentos têm sócios em comum, mas não foi encontrada nenhuma relação com Lula ou com a primeira-dama.

Uma pesquisa pelo nome do alfaiate junto ao nome de Lula não trouxe nenhum resultado que indicasse um elo entre ambos. Tampouco foram localizados registros de que Lula tenha usado um terno feito por Camargo.

Este conteúdo também foi checado pelo Estadão Verifica.

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