OMS classificou Nipah com baixo risco de propagação mundial e não alertou para risco pós-Carnaval

  • Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 18:01
  • 2 minutos de leitura
  • Por AFP Brasil

A confirmação de dois casos de contaminação pelo vírus Nipah, na Índia, fez com que diferentes países retomassem protocolos sanitários rigorosos no início de 2026. Não é verdade, no entanto, que a Organização Mundial da Saúde (OMS)  tenha alertado para um risco global de propagação do patógeno após o Carnaval, como alegam publicações com milhares de interações nas redes sociais desde o último dia 30 de janeiro. A OMS classificou a transmissão do vírus como de baixo risco. O Ministério da Saúde do Brasil também afirmou que, até o momento, não há ameaça para a população brasileira. 

“OMS alerta para risco global de Nipah após o carnaval”, diz legenda sobreposta a uma imagem que circula no Instagram, no Facebook, no X e no Threads

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Captura de tela feita em 2 de fevereiro de 2026 de uma publicação no Facebook (.)

O conteúdo passou a circular nas redes sociais após a Índia confirmar, em 27 de janeiro de 2026, dois casos do vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental. 

As autoridades de saúde da Índia afirmaram que os dois pacientes infectados tiveram contato com 196 pessoas e que todas testaram negativo para o vírus, que afeta o sistema respiratório e nervoso central e é transmitido de animais para humanos. 

Até o momento, não há vacina ou tratamento específico para pacientes infectados com o Nipah, cuja taxa de mortalidade varia entre 40% e 75%. O patógeno é um dos classificados na lista de ameaças epidêmicas do Plano de Pesquisa e Desenvolvimento da Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Após a detecção dos casos, diferentes países asiáticos retomaram medidas rigorosas de verificação de saúde em aeroportos, semelhantes às adotadas durante a pandemia de covid-19. 

No entanto, é falso que a OMS tenha alertado para um risco global pós-Carnaval devido ao surto atual na Índia. 

Uma busca no site da OMS por comunicados sobre o vírus Nipah não identificou supostos alertas para o período. 

Até a publicação desta checagem, o único comunicado sobre o vírus feito pela OMS foi publicado em 30 de janeiro de 2026. 

No texto, o órgão afirma que o vírus apresenta baixo risco em níveis regional e global, uma vez que não houve casos registrados fora da Índia. 

“Não houve relatos de transmissão transfronteiriça e o surto atual permanece geograficamente limitado”, afirmou o órgão na nota.  

Devido à falta de vacina ou tratamento específico para infectados, a OMS afirmou  que a prevenção da infecção pelo vírus depende da conscientização sobre os fatores de risco e medidas para reduzir a exposição. 

E isso inclui, segundo o órgão, cuidados durante eventos com grandes aglomerações de pessoas. Mas em nenhum momento é citada uma preocupação com a propagação do vírus no período pós-Carnaval no Brasil. 

Por fim, a OMS não recomenda restrições de viagens de turismo e comércio para a Índia.  

O Ministério da Saúde do Brasil publicou uma nota na mesma data em que reforça o entendimento da OMS e indica que não há “nenhuma evidência de disseminação internacional ou risco para a população brasileira".  

Esse conteúdo também foi verificado por Aos Fatos

Referências 

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