O diretor Kleber Mendonça Filho e a produtora francesa Émilie Lesclaux posam na sala de imprensa com o prêmio de melhor filme em língua não-inglesa por “O Agente Secreto” durante a 83ª edição do Globo de Ouro, em 11 de janeiro de 2026. (AFP / Etienne Laurent)

Vídeo engana ao dizer que diretor Kleber Mendonça Filho é dono de um banco e da marca Havaianas

  • Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 15:49
  • 2 minutos de leitura
  • Por AFP Brasil

Em meio à divulgação do filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, um vídeo com mais de 500 mil visualizações nas redes sociais alega que o cineasta seria dono de um banco e da empresa Havaianas, criticada por figuras de direita por uma propaganda que consideraram política. O conteúdo sugere que isso explicaria as críticas do elenco do filme ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A gravação, no entanto, parece confundir Mendonça com o diretor Walter Salles, que é um dos herdeiros do banco Itaú. O Checamos localizou apenas uma produtora independente ligada a Kleber Mendonça.

“(...) Vale a gente falar que o filme dele [Wagner Moura] ganhou 7,5 milhões do governo Lula e que também o diretor do filme dele é dono de um banco, que é dono também de uma holding, onde está adivinha quem? Havaianas”, diz um homem em um vídeo compartilhado no TikTok, no Instagram, no Kwai, no Facebook, no X, no YouTube e no LinkedIn.

A gravação começou a circular em meio às promoções do filme O Agente Secreto, estrelado por Wagner Moura e dirigido por Kleber Mendonça Filho. Em entrevistas para a imprensa internacional, tanto o ator quanto o diretor criticaram o ex-presidente Bolsonaro.

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Captura de tela feita em 19 de janeiro de 2026 de uma publicação no TikTok (.)

A Havaianas, citada no vídeo, já havia sido criticada por grupos de direita em dezembro de 2025 após a veiculação de uma propaganda em que a atriz Fernanda Torres desejava que o público começasse o ano novo não com o pé direito, mas com os dois pés. A mensagem foi considerada como política por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que pediram boicote à marca. 

Entretanto, ao contrário do que alega a publicação, Mendonça não é dono nem tem participação societária em nenhum banco ou na empresa Havaianas.

Por meio de uma busca na ferramenta CruzaGrafos, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o Checamos consultou empresas ligadas a Mendonça e encontrou somente a produtora independente Cinemascópio, da qual ele é sócio.

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Captura de tela feita em 19 de janeiro de 2026 da plataforma CruzaGrafos (.)

O Checamos também não localizou registros públicos que relacionem Mendonça a algum banco nem à Alpargatas, companhia dona Havaianas.

O autor da publicação pode ter confundido Mendonça com Walter Salles, diretor de “Ainda Estou Aqui”, obra que rendeu ao Brasil o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2025. Salles é um dos herdeiros do Itaú, grupo que tem participação na Alpargatas.

Financiamento do filme

De fato, o Fundo Setorial Audiovisual (FSA) contribuiu com 7,5 milhões para a produção de O Agente Secreto e com mais R$ 750 mil para a sua comercialização.

O FSA existe desde 2006 e é alimentado pela Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine), um imposto que incide sobre a veiculação, a produção, o licenciamento e a distribuição de obras cinematográficas e videofonográficas.

A obra também recebeu outros R$ 3 milhões da Lei do Audiovisual, um mecanismo pelo qual pessoas físicas e jurídicas patrocinam projetos audiovisuais pré-aprovados, tendo os valores abatidos do Imposto de Renda (IR).

O Checamos já verificou outro conteúdo relacionado ao filme O Agente Secreto.

Este conteúdo também foi verificado pelo g1 e pelo Estadão Verifica.

Referências

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