Filmagem de violência doméstica não mostra suposta agressão cometida por filho de Lula

  • Publicado em 2 de abril de 2025 às 18:26
  • 3 minutos de leitura
  • Por AFP Brasil
Em abril de 2024, o filho caçula do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Luís Cláudio Lula da Silva, foi denunciado por sua ex-companheira por agressão física e abuso psicológico em São Paulo. Nesse contexto, publicações visualizadas mais de 1,2 milhão de vezes nas redes sociais voltaram a circular em março de 2025 com a alegação de que um vídeo de um homem agredindo uma mulher mostraria Luís Claúdio. Mas a gravação é um registro anterior de um caso de violência doméstica ocorrido no Distrito Federal em fevereiro de 2024.

“Olha o Monstro que filho do Lula é vamos deixar ele famoso esse vagabundo”, diz o texto sobreposto às publicações compartilhadas no Facebook, no Instagram, no X e no Threads.

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Captura de tela feita em 31 de março de 2025 de uma publicação no Facebook (.)

A sequência, que mostra a agressão de um homem contra uma mulher gravada por uma câmera de segurança, já circulou em abril de 2024, quando foi verificada pelo Checamos, mas voltou a ser compartilhada em março de 2025.

As publicações circularam após Luís Cláudio Lula da Silva, também chamado de “Lulinha”, ter sido denunciado em 2 de abril de 2024 na Delegacia da Mulher de São Paulo por supostamente agredir física e psicologicamente sua companheira na época.

Após o Tribunal de Justiça de São Paulo considerar “coerente e verossímil” a denúncia, que citava “ameaças e ofensas constantes” e “uma cotovelada na barriga”, foi determinado, em 3 de abril daquele ano, que Luís Cláudio mantivesse distância da mulher.

Em 15 de julho de 2024, a Polícia Civil do Estado de São Paulo concluiu o inquérito contra o filho do presidente. Por não ter sido constatada lesão corporal nem violência psicológica, Luís Cláudio não foi indiciado.

O relatório da polícia foi encaminhado ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), que poderia seguir com as investigações ou arquivar o caso. O AFP Checamos entrou em contato com o MPSP em 28 de março de 2025 para apurar atualizações no processo, mas não obteve resposta.

Imagens de agressão no Distrito Federal

Uma busca reversa por fragmentos do vídeo no Google encontrou o mesmo conteúdo compartilhado no X em 10 de março de 2024, em uma publicação restringida para maiores de 18 anos pelo teor violento das imagens. Na legenda, é indicado: “Tentativa de homicídio. Agressor de mulher está foragido”.

Nos comentários da postagem, um usuário pergunta pela identidade do agressor. Em resposta, uma terceira pessoa encaminha a imagem de um cartaz com o selo da Polícia Civil do Distrito Federal (DF), no qual se lê: “Procurado”, “Gabriel da Silva Teixeira” e “Ameaça, dano e lesão corporal”.

Pesquisando por esse nome no Google, é possível encontrar reportagens de fevereiro de 2024 sobre um caso ocorrido no dia 27 do mesmo mês que foi investigado pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher I, em Brasília.

Na ocasião, câmeras de segurança capturaram o momento em que o homem identificado como Gabriel Teixeira agride e empurra para fora de seu apartamento uma amiga de sua então companheira, que aparece momentos antes consolando-a. Em seguida, ele agride violentamente sua mulher, que perde a consciência. A vítima sobreviveu ao ataque e pediu medidas protetivas contra o agressor.

Teixeira, que também responde por outro processo de violência doméstica, fugiu após o ocorrido, estabelecido pelas investigações como uma tentativa de homicídio.

Não há qualquer menção a Luís Cláudio Lula da Silva nas matérias que noticiaram o caso.

A AFP já verificou anteriormente outras alegações sobre filhos do presidente Lula.

Referências

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