
Vídeo de incêndio em frota de ônibus não tem relação com o atual ministro da Justiça, Flávio Dino
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- Publicado em 4 de janeiro de 2023 às 16:35
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- Por AFP Brasil
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A gravação mostra ônibus amarelos enfileirados pegando fogo. Em determinado momento da sequência escuta-se uma explosão. Em algumas publicações, há um texto sobreposto às imagens dizendo: “Fogo em todos os ônibus escolares que Bolsonaro comprou e o Dino não entregou. Como vazou, eles decidiram botar fogo. As crianças e seu dinheiro que se dane, essa é a esquerda!”
Outros usuários afirmam que a gravação foi feita no estado do Maranhão enquanto Flávio Dino era governador.
O conteúdo circula no Facebook e no Instagram.

Mas uma busca no Google pelas palavras-chave “ônibus escolar” e “incêndio” levou a matérias (1, 2, 3) de 23 de dezembro de 2022 que reportavam a queima criminosa de ônibus municipais em Franco da Rocha, São Paulo. O incidente começou por volta das 17h30 depois de uma invasão ao complexo hospitalar da cidade.
Uma das reportagens é ilustrada com um vídeo que contém o mesmo trecho compartilhado nas redes.

Procurada pelo AFP Checamos, a Prefeitura de Franco da Rocha informou que, ao contrário do alegado nas redes, os ônibus não haviam sido doados pelo governo de Jair Bolsonaro: alguns foram adquiridos pela própria Prefeitura, outros doados pelo governo estadual e outros pelo programa “Caminhos da Escola”, do governo federal. Mas “nenhum doado pelo governo Bolsonaro”, reiterou.
O governo municipal também afirmou que não havia “nenhum mandado para a queima de veículos” e que o incidente está sendo investigado pela Polícia Civil.
Em nota ao Checamos, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a delegacia local instaurou um inquérito para apurar as causas do incêndio ocorrido em 22 de dezembro de 2022.
Em complemento, afirmou que “a equipe da unidade analisa imagens para identificar os suspeitos” e que “os laudos solicitados ao Instituto de Criminalística (IC) estão em elaboração para auxiliar no esclarecimento de todas as circunstâncias dos fatos e confirmar se foi um ato criminoso”.