Senadores de oposição ocupam a mesa do plenário em protesto contra a votação da reforma trabalhista no Congresso Nacional, em Brasília, em 11 de julho de 2017 ( AFP / Evaristo Sa)

Vídeo de 2017 relacionado à reforma trabalhista circula como se fosse reunião de Lula em 2022

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O registro de uma discussão entre senadores foi compartilhado milhares de vezes nas redes sociais vinculado a uma “reunião do Lula” desde ao menos 20 de março de 2022. Contudo, o vídeo não tem relação com o ex-presidente: foi gravado em maio de 2017 na sessão de leitura do relatório sobre a reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O confronto aconteceu quando senadores de oposição ao governo de Michel Temer tentaram impedir a leitura do texto, que acabou aprovado pela mesma comissão em junho daquele ano.

“Reunião do Lula termina com confusão e briga. Eles sabe q para Lula não dá mais, como se eleger com discurso de ditador do Lula e as atitudes do STF q tem maioria petista”, diz uma publicação no Twitter. Conteúdo similar circula também no Facebook e no Instagram.

Captura de tela feita em 22 de março de 2022 de uma publicação no Twitter ( . / )

Uma busca por trechos do vídeo viralizado com a ferramenta Google Lens levou a uma análise do jornal El País Brasil publicada em 24 de maio de 2017 e intitulada “Escalada da crise: primeiro teste de Temer no Congresso acaba em confusão”. 

O texto faz menção à discussão de senadores durante a leitura do relatório da reforma trabalhista, ocorrida no dia anterior, e traz uma foto da cena. 

Uma pesquisa no Google pelos termos “senadores, relatório, reforma trabalhista” e pelo crédito à foto dado na legenda - “Fabio Rodrigues Pozzebom (Agência Brasil)” - com filtro temporal de 23 a 27 de maio de 2017 levou a notícias publicadas sobre a discussão, em 23 de maio, por veículos de comunicação estatais, como Agência Brasil e Agência Senado.

“A leitura do relatório do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) sobre a reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) acabou não ocorrendo nesta terça-feira (23) devido a tumulto que tomou conta da reunião. Senadores da oposição conseguiram impedir a leitura, que era defendida pela base governista. A reunião chegou a ser suspensa, mas não foi retomada”, diz o texto publicado pela Agência Senado.

O tumulto, que envolveu o senador Randolfe Rodrigues e o então senador Ataídes Oliveira, também foi divulgada por outros veículos de imprensa:

Texto aprovado

A reunião não foi retomada e o relatório foi dado como lido. Em 6 de junho de 2017, foi aprovado na mesma comissão.

Em seguida, o Projeto de Lei da Câmara 38/2017 passou pela Comissão de Assuntos Sociais e pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, onde foi aprovado com urgência para ir a plenário. 

Em meio a protestos da oposição, que ocupou a mesa do plenário por sete horas, a reforma trabalhista proposta pelo governo de Michel Temer foi aprovada em 11 de julho de 2017 pelo Senado e seguiu para sanção do então presidente.

Em 13 de julho do mesmo ano, o texto foi transformado na Lei Nº 13.467, que “altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)”