Capa em que Greta é chamada de “charlatã” foi publicada por revista francesa meses antes dos incêndios na Austrália

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A capa de uma revista na qual a ativista sueca Greta Thunberg é chamada de “charlatã” foi compartilhada milhares de vezes nas redes sociais. Segundo as postagens, a edição foi publicada pela principal revista da Austrália após a adolescente não ter se posicionado sobre os incêndios que afetam o país desde setembro. Apesar de verdadeira, a capa foi publicada por uma revista francesa de direita em junho de 2019, meses antes da mais recente série de incêndios florestais australianos.

“Greta está na capa da principal revista da AUSTRÁLIA. Eles chamam a pirralha de CHARLATÃ, porque o país está pegando fogo em proporções muito maiores na comparação com o que ocorreu na Amazônia e ninguém se pronuncia, nem Macron, nem Greta, e nem ecologistas”, dizem as publicações compartilhadas mais de 3 mil vezes no Facebook (1, 2), Twitter (1, 2) e Instagram, desde 14 de dezembro.

Captura de tela feita em 17 de dezembro de 2019 mostra publicação viralizada no Facebook

As postagens viralizaram após a ativista ambiental sueca Greta Thunberg ser escolhida a personalidade do ano pela revista norte-americana Time no último dia 11 de dezembro. Recentemente, a adolescente, que se tornou símbolo da luta contra as mudanças climáticas, também foi chamada de “pirralha” pelo presidente Jair Bolsonaro.  

Apesar de verdadeira, a capa viralizada foi publicada pelo veículo francês Valeurs Actuelles, e não pela “principal revista da Austrália”, em 27 de junho deste ano, meses antes dos incêndios florestais que afetam o país desde setembro. Amplamente associadas às mudanças climáticas, as chamas já deixaram ao menos seis mortos, e destruíram 700 casas e três milhões de hectares na Austrália.

A Valeurs Actuelles, que se descreve como “o veículo semanal de direita que o assume”, tampouco figura entre as revistas de maior circulação da França. Segundo a organização francesa Aliança para os Dados da Imprensa e das Mídias (ACPM), a publicação aparece em 102º lugar na classificação por difusão paga no país durante o período de 2018 a 2019.

A capa em questão desencadeou críticas à Valeurs Actuelles, que em julho publicou um texto respondendo aos principais questionamentos dos leitores.

Além disso, não é verdade que Greta Thunberg não tenha se pronunciado sobre os incêndios na Austrália.

Em 10 de novembro, a ativista sueca publicou no Twitter uma reportagem sobre as chamas, que, na época, assolavam principalmente o estado australiano de Nova Gales do Sul, destacando o seguinte trecho: “Os números não mentem e a ciência é clara. Se alguém lhe disser que ‘isso é parte de um ciclo normal’ ou que ‘nós já tivemos incêndios como esses antes’, sorria educadamente e vá embora, porque eles não sabem sobre o que estão falando”.

A série de incêndios iniciada em setembro também desencadeou grandes protestos na Austrália. Em março deste ano, uma onda de calor provocou outras chamas no país, mas em menor escala.

O Checamos já verificou outras afirmações (1, 2, 3) sobre a ativista.

Em resumo, é verdadeira a capa ilustrada com uma foto da ativista sueca Greta Thunberg sob o título “Os charlatães da ecologia”. A edição não foi publicada, no entanto, pela principal revista da Austrália porque Greta não se posicionou sobre os incêndios do país, mas por um veículo francês meses antes dos incêndios florestais que assolam a Austrália desde setembro deste ano.

AFP Brasil