Apontado como chefe de milícia, Adriano da Nóbrega foi chamado de “brilhante oficial” por Bolsonaro em 2005

Publicações compartilhadas milhares de vezes em redes sociais afirmam que o presidente Jair Bolsonaro já elogiou Adriano da Nóbrega, apontado como chefe de milícia investigada no caso da morte da vereadora Marielle Franco e morto em confronto com a polícia no último dia 9 de fevereiro. A alegação é verdadeira. Em discurso na Câmara dos Deputados em outubro de 2005, Bolsonaro chamou Da Nóbrega de “brilhante oficial”.

“Adriano Nóbrega… ‘é um brilhante oficial…’ (Deputado Jair Bolsonaro, em pronunciamento de 2005, contra a prisão do primeiro”, diz publicação compartilhada no Facebook em 9 de fevereiro. A mesma alegação aparece em artigos, tuítes e vídeos, replicados mais de 3 mil vezes em redes sociais.

Captura de tela feita em 10 de fevereiro mostra artigo publicado no Facebook

As postagens começaram a circular após Adriano da Nóbrega - ex-tenente da Polícia Militar do Rio de Janeiro, procurado por crimes como grilagem, extorsão de moradores e comerciantes, pagamento de propina a agentes públicos e agiotagem - ser morto em confronto com a polícia da Bahia no último dia 9 de fevereiro.  

Foragido há mais de um ano, Da Nóbrega era apontado pelo Ministério Público como um dos líderes da milícia da comunidade de Rio das Pedras (RJ) investigada por uma possível relação com o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ). Antes de morrer, Marielle denunciava a atuação desses grupos em favelas do Rio. 

Uma busca nos arquivos da Câmara dos Deputados mostra que é verdadeira a alegação de que o presidente Bolsonaro já elogiou o ex-tenente da PM.

Em 27 de outubro de 2005, Bolsonaro, então deputado federal pelo PP-RJ, se pronunciou em Plenário para defender Adriano da Nóbrega, após ele ser condenado a 19 anos e 6 meses de prisão pela morte de um guardador de carros que denunciou milicianos à polícia.

Na mesma fala, Bolsonaro afirmou que a condenação de militares da Polícia do Rio de Janeiro interessava ao “casal Garotinho”, em referência a Anthony e Rosinha Garotinho, que governaram o estado entre 1999 e 2007, “porque a Anistia Internacional cobra a punição de policiais em nosso país, insistentemente”.

Além da transcrição do discurso de Bolsonaro, também é possível acessar o áudio da fala no site da Câmara dos Deputados.

Alguns meses antes, Da Nóbrega também foi homenageado pelo filho mais velho do presidente, o então deputado estadual (PP-RJ) e hoje senador Flávio Bolsonaro.

Em 15 de junho de 2005, quando Da Nóbrega já havia sido preso preventivamente pela morte do guardador de carros,  Flávio concedeu a medalha Tiradentes ao então tenente da PM por ter logrado “êxito em prender 12 marginais no Morro da Coroa” em 26 de junho de 2001, entre outras ações.

A irmã e a mãe de Da Nóbrega também chegaram a trabalhar no gabinete do filho do presidente quando ele era deputado estadual do Rio de Janeiro.

Após a morte do ex-PM, seu advogado disse que Da Nóbrega já havia expressado medo de ser assassinado em uma “queima de arquivo”.

Em resumo, são verdadeiras as publicações que afirmam que o presidente Jair Bolsonaro já elogiou Adriano da Nóbrega, apontado como chefe de milícia e morto em confronto com a polícia em 9 de fevereiro. O discurso em que Bolsonaro chama da Nóbrega de “brilhante oficial” pode ser acessado em texto e áudio no site da Câmara dos Deputados.

AFP Brasil