Uma mexicana não esfaqueou seu marido por achar, erroneamente, que ele era infiel

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Uma mulher encontra uma foto de seu marido com outra mais jovem e, acreditando que ele é infiel, o esfaqueia. Quando o homem consegue recuperar o controle, lhe explica que quem está nas imagens é ela mesma, quando era mais nova. Essa história - e algumas versões similares - viralizaram nas redes sociais e em sites de notícias desde o final de janeiro, sendo compartilhada em vários idiomas. Mas as autoridades de Sonora, o estado mexicano onde tudo teria ocorrido, descartaram a existência de um caso parecido. Além disso, a foto que ilustra as notícias é de uma prisão feita na Argentina em 2019.

“Mexicana esfaqueia marido após confundir ela mesma com ‘amante’ em foto”, diz o título de matérias publicadas em vários sites de notícia (1, 2, 3) sobre o suposto caso ao menos desde o último dia 26 de janeiro. Nos textos indica-se que o caso teria ocorrido no estado mexicano de Sonora (noroeste) ou especificamente no município de Cajeme.

Essa alegação também circulou no Facebook (1, 2, 3), no Instagram (1, 2, 3), por vezes com a captura de tela dos artigos, e no Twitter (1, 2).

A história circulou igualmente em outros idiomas, como inglês - em veículos de comunicação como o New York Post e o Daily Mirror -, indonésio e espanhol

Captura de tela feita em 11 de fevereiro de 2021 de uma publicação no Instagram

Várias postagens em português citam como fonte o periódico mexicano Diario de Yucatán, que publicou um artigo sobre o suposto ocorrido em 21 de janeiro. No entanto, este não foi o primeiro a relatar o caso: o exemplo mais antigo encontrado pela equipe de checagem da AFP data de 16 de janeiro, em uma matéria que dá mais detalhes sobre a localização em Sonora, ao mencionar a colônia Urbi Villa, localizada no município de Cajeme.

A maior parte das publicações é ilustrada com a fotografia de uma mulher detida, com uma tarja preta na região dos olhos, e escoltada por dois policiais cujo uniforme contém a inscrição, em espanhol, “prefectura”. Atrás dela pode-se ler as palavras “delegación” e “agencia de investigación criminal”.

Uma busca pelas palavras-chave em questão revelou que a imagem foi publicada no Twitter pela Prefeitura Naval Argentina em 25 de setembro de 2019, depois de capturarem a mulher, acusada de um assassinato em Mercedes (leste da Argentina) em 2006.

No mesmo dia 25, a Prefeitura Naval emitiu um comunicado explicando que a detida estava foragida desde 2012.

A agência de notícias argentina Télam publicou uma nota sobre o caso, na qual indicava que a mulher era uma das 10 pessoas mais procuradas no país.

A equipe de checagem da AFP entrou em contato com a área de comunicação social da Secretaria de Segurança Pública de Sonora, que descartou a veracidade da história viralizada. “Não se tem relatos” de um caso com as características descritas pelas postagens, indicaram.

EDIT 12/02: Modifica a captura de tela para retirar o nome do usuário
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