Não, sargento da Aeronáutica preso com cocaína não voava no avião presidencial desde 2011

Uma publicação compartilhada quase 40 mil vezes nas redes sociais desde 26 de junho de 2019 afirma que o sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, preso com 39 kg de cocaína em sua bagagem em Sevilha, na Espanha, voava no avião presidencial desde 2011. No entanto, essa afirmação é duplamente falsa, já que ele fazia parte do quadro de tripulantes da aeronave reserva (e não da aeronave titular) desde março de 2016 (e não desde 2011).

“O traficante voava desde 2011 no avião presidencial. Bolsonaro entrou e prenderam o bandido. Mais um motivo para eu já declarar o meu voto. #bolsonaro2022”, diz o texto da publicação viralizada no Facebook.

Captura de tela feita em 4 de julho de 2019 mostra a postagem viralizada no Facebook

Segundo um boletim informativo publicado pela Força Aérea Brasileira (FAB) em 27 de junho de 2019, o segundo-sargento Manoel Silva Rodrigues entrou para a Aeronáutica em fevereiro de 2000. Em março de 2010 passou a integrar o Grupo de Transporte Especial (GTE), responsável pelo transporte de presidentes, vice-presidentes e ministros.

A equipe de checagem da AFP no Brasil entrou em contato com a FAB e o assessor de imprensa major Daniel Oliveira explicou por telefone que o GTE é formado por três esquadrões: o primeiro é responsável pelo transporte do presidente e do vice-presidente; o segundo, pelo transporte de ministros; e o terceiro é responsável pelo transporte do presidente, mas de helicóptero.

Em 2010, Manoel Silva Rodrigues fazia parte do quadro de tripulantes do segundo esquadrão, responsável por transportar ministros. Em 2016, ele passou a fazer parte do quadro de tripulantes do primeiro esquadrão, como mostra o boletim publicado pela FAB: “o sargento (...) compõe o Quadro de Tripulantes da aeronave VC-2 desde março de 2016”.

Toda viagem presidencial exige uma grande operação e, por isso, duas aeronaves são utilizadas: a VC-1, chamada de “titular”, onde vai o presidente, e a VC-2, que é a “reserva”. Manoel, que compõe a tripulação da aeronave VC-2, estava como “apoio da comitiva presidencial”, segundo o major Oliveira.

Uma nota publicada pela FAB em 26 de junho explica justamente que “o sargento partiu do Brasil em missão de apoio à viagem presidencial, fazendo parte apenas da tripulação que ficaria em Sevilha. Assim, o militar em questão não integraria, em nenhum momento, a tripulação da aeronave presidencial, uma vez que o retorno da aeronave que transporta o Presidente da República não passará por Sevilha, mas por Seattle, Estados Unidos”.

Manoel Silva Rodrigues foi detido em 25 de junho de 2019 no aeroporto de Sevilha com 39 kg de cocaína levados no avião da FAB. Os 37 pacotes da droga presentes na mala de mão do sargento e vistos ao passar pelo raio-x foram fotografados pelo jornal El País.

Em resumo, o militar Manoel Silva Rodrigues não voou no avião presidencial e não faz parte desde 2011 da tripulação da aeronave reserva. Na realidade, ele voa na aeronave VC-2 reserva, de apoio a viagens presidenciais, desde março de 2016.

AFP Brasil