Não, o ministro da Economia não possui conta em nenhuma rede social

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A captura de tela de um tuíte em que o ministro da Economia, Paulo Guedes, supostamente afirma que o Congresso está mandando ao presidente Jair Bolsonaro o recado “deixe a gente roubar, ou você não governa” foi compartilhada mais de 32 mil vezes no Facebook desde 17 de setembro. No entanto, a mensagem não foi publicada pelo ministro, que não possui conta em redes sociais. Não há, ainda, registro de que Guedes tenha dito essa frase em outra situação.

Captura de tela feita em 20 de setembro de 2019 mostra publicação viralizada no Facebook

“O recado da maioria do congresso Nacional está claro para o Presidente, deixe a gente roubar, ou você não governa!”, diz o tuíte que, segundo publicação viralizada, foi escrito pelo ministro da Economia.  

A mensagem não poderia, contudo, ter sido publicada por Paulo Guedes, uma vez que o ministro não possui conta em nenhuma rede social. Esta informação foi confirmada por telefone com o Ministério da Economia.

Em 13 de junho, a pasta já havia publicado no Twitter um alerta com os endereços corretos das contas oficiais do ministério.

Ao buscar a mensagem do suposto tuíte no Google, também não encontramos nenhum registro de que ela tenha sido dita por Paulo Guedes.

A mensagem com críticas ao Congresso atribuída a Guedes foi verificada em 27 de junho pelo site Boatos.Org. De acordo com a checagem, o tuíte foi publicado pela conta @PauloGuedes1234. Atualmente, o perfil está suspenso e não é possível acessar seu conteúdo. Ainda é possível ver, contudo, as respostas à publicação.

O Comprova, projeto de verificação integrado pela AFP, pesquisou no Wayback Machine e no Google Web Cache, sites que arquivam páginas da internet, mas não havia registros do tuíte deletado. Na imagem que viralizou no Facebook, o nome da conta aparece incompleto.

Reforma nas regras eleitorais

A captura de tela do suposto tuíte do ministro da Economia viralizou em 17 de setembro, em meio à votação de um Projeto de Lei que altera diversas regras eleitorais. Entre análises na Câmara e no Senado, o PL 5029/19 (antigo PL 11021/18) passou por múltiplas mudanças e foi duramente criticado por parte da população.

No último dia 4 de setembro, a proposta tinha sido aprovada na Câmara dos Deputados e posteriormente encaminhada ao Senado Federal.

Entre os principais pontos, o projeto previa que o Fundo Partidário - forma de financiamento das legendas composta em parte por dinheiro público - poderia ser utilizado para contratar serviços advocatícios para qualquer processo judicial ou administrativo que envolvesse candidatos do partido, eleitos ou não. A proposta estabelecia que essas ações deveriam estar relacionadas ao processo eleitoral, ao exercício de mandato eletivo ou que pudessem acarretar no reconhecimento de inelegibilidade.

Esse item fez que críticos do projeto o apelidassem de “Lei Lula Livre”, em uma referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é réu em seis processos, além das duas ações nas quais já foi condenado. Em 12 de setembro, organizações da sociedade civil também assinaram uma carta aberta expressando “preocupação extrema” com o Projeto de Lei.

Cinco dias depois, o Senado aprovou um substitutivo ao texto original, rejeitando quase todos os itens validados pela Câmara.

No entanto, de volta à análise dos deputados, o texto foi em parte restaurado. A versão mais recente permite, entre outros pontos, que o Fundo Partidário seja utilizado para contratar assistência jurídica para qualquer processo judicial que envolva candidatos do partido, eleitos ou não, mas relacionados exclusivamente ao processo eleitoral.

Agora, o Projeto de Lei foi encaminhado ao presidente Jair Bolsonaro e depende de sanção para entrar em vigor. Nesta quinta-feira (19), a hashtag #VETABOLSONARO figurou em primeiro lugar nas tendências do Twitter para o Brasil.

Críticas de Guedes ao Congresso

Apesar de não ter publicado o tuíte viralizado, Guedes já criticou o Congresso em outras ocasiões, como durante a tramitação da reforma da Previdência.

Depois da divulgação do relatório aprovado na Comissão Especial da Câmara, que previa uma economia menor do que a proposta inicialmente, Guedes afirmou que os parlamentares mostraram “que não há um compromisso com as novas gerações. “O compromisso com os servidores públicos do Legislativo parece maior do que com as futuras gerações”, afirmou, no último dia 14 de junho.

Em resumo, é falso que o ministro da Economia, Paulo Guedes, tenha publicado no Twitter que o Congresso está enviando o recado “deixe a gente roubar, ou você não governa” ao presidente Jair Bolsonaro. Guedes não possui conta em nenhuma rede social e não há outro registro de que ele tenha dito esta frase.

Esta investigação foi realizada com apoio do Projeto Comprova. Participaram jornalistas da AFP e do Estado de S. Paulo.

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