Não, estes peixes não morreram por conta das altas temperaturas no Alasca

Uma publicação com um vídeo que mostra peixes flutuando nas águas de uma lagoa viralizou em vários idiomas no Facebook e no Twitter afirmando que os animais morreram no Alasca por conta do “aquecimento global”. Contudo, isto não está correto: sua morte se deu devido a um erro humano durante uma atividade de pesca organizada por uma associação que se dedica à conservação do salmão.

“O verão incrivelmente quente e ensolarado no Alasca, infelizmente, tem um rosto escuro. O clima quente e a água morna do Alasca mataram os salmões antes de chegarem ao seu destino para reprodução. Ainda bem que o aquecimento global ‘é uma farsa e tudo isso foi encenado’ ‘né?!’”, diz o texto que acompanha as postagens (1, 2 e 3).

O maior registro de compartilhamento encontrado pelo AFP Checamos foi no Twitter:  desde 11 de agosto de 2019 já houve mais de 54 mil retuítes, 104 mil curtidas e 1,3 milhão de visualizações.

Este vídeo também viralizou em espanhol, francês e inglês.

Contudo, a causa da morte indicada é falsa. Os peixes boiando vistos no vídeo de 15 segundos não morreram devido às altas temperaturas, mas sim por um erro humano durante uma atividade de pesca.

O vídeo foi publicado originalmente em 6 de agosto de 2019 no povoado de Homer, no estado do Alasca, Estados Unidos, de acordo com a geolocalização fornecida pelo Facebook, e foi compartilhado milhares de vezes desde então.

O usuário que publicou o vídeo pela primeira vez dizia na descrição: “Infelizmente, o verão excepcionalmente quente e ensolarado no Alasca não tem apenas o seu lado bom, pois os salmões morreram após chegar à Lagoa de Tutka, no Kachemak Bay Park, perto de Homer, Alasca. Estes são salmões jovens que ainda não se reproduziram e todos morreram antes de fazê-lo, sem descendentes”.

Em 13 de agosto, o autor da postagem acrescentou uma explicação que foi publicada pela página do Facebook da Associação de Piscicultura de Cook Inlet (CIAA, na sigla em inglês), dedicada à conservação do salmão na bacia onde foi filmado o vídeo.

Captura de tela feita em 19 de agosto de 2019 mostra o texto publicado na página do Facebook da Associação de Piscicultura de Cook Inlet

Segundo a CIAA, “para cobrir os custos operacionais dos programas de criadouro”, foi realizada uma atividade de pesca na área vista na gravação. A operação foi autorizada “por meio de um processo de licitação pública” e os pescadores contrataram um barco para levar os salmões em redes.

“Em 28 de julho, o cerqueiro [barco que opera com rede de arrasto] estava pescando na Lagoa da Baía de Tutka. Tinha uma rede cheia de salmão rosado quando o fundo da rede enganchou em algo e rasgou”.

Isto fez com que “os peixes fossem libertados e vários deles morreram no processo”. Segundo a associação, “se perderam aproximadamente de 700 a 1.200 peixes”.

Contactada pela AFP por meio do Facebook, a associação insistiu que os animais “não morreram por causa do calor”.

Entretanto, é frequente que os peixes morram devido às temperaturas superiores do que o habitual. Em julho passado, por exemplo, milhares de peixes foram encontrados mortos na Lagoa de Bolmon, Marignane, perto de Marselha, na França.

Um verão incomumente quente no Alasca

Segundo o programa europeu Copernicus de monitoramento da Terra, o mês de julho de 2019 foi o mais quente da História e as temperaturas foram mais altas do que o normal no Alasca, na Groenlândia, em parte da Sibéria e algumas áreas da Antártica e na Ásia Central.

As temperaturas no Alasca alcançaram no mês de julho um recorde histórico de 32° C, registrados em Anchorage, a maior cidade do estado. De acordo com os meteorologistas, a temperatura máxima média para um 4 de julho em Anchorage é de 18,3° C.

Em resumo, é falso que os peixes vistos no vídeo tenham morrido por conta do calor intenso no Alasca. Os animais estavam sendo levados em uma rede que se rompeu durante uma pesca organizada.