Essas imagens mostram variação da poluição em Pequim antes e depois da quarentena decretada em razão do novo coronavírus

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Uma comparação entre duas fotos de uma mesma área urbana, uma com o céu azul e outra encobrido de poluição, foi compartilhada milhares de vezes em redes sociais como se retratasse uma redução na emissão de poluentes após a declaração de quarentena por conta do novo coronavírus. Questionada por usuários, a comparação é verdadeira: as fotos foram tiradas em outubro de 2019 e março de 2020, em Pequim. Neste mesmo período, agências espaciais detectaram uma diminuição na taxa de poluição sobre a capital chinesa.

“Enquanto a humanidade está em quarentena, o planeta Terra toma vida!”, diz publicação, compartilhada mais de 13 mil vezes no Facebook desde o último dia 18 de março. A imagem aparece com a mesma legenda em diversas outras postagens no Facebook (1, 2, 3) e Twitter (1, 2, 3), somando mais de 20 mil compartilhamentos. 

Captura de tela feita em 20 de março de 2020 mostra comparação publicada no Facebook

As publicações começaram a circular no momento em que cidadãos de diversos países estão confinados em casa para reduzir o número de contágios do novo coronavírus, paralisando fábricas e atividades comerciais por todo o mundo.

Alguns usuários demonstraram, contudo, duvidar da relação da imagem com este cenário. “Fake a imagem. A imagem é de San Francisco onde a maior parte do ano o clima fica nublado esse registro foi um dos poucos em que o sol se abriu completamente”, comentou um internauta. “Alerta fake news”, escreveu outro.

Apesar das dúvidas expressas em redes sociais, esta comparação realmente mostra a variação nos níveis de poluição em uma área urbana antes e depois da detecção do novo coronavírus.

Uma busca reversa nas plataformas Google, TinEye e Yandex mostra que as duas imagens foram postadas originalmente em 8 de março de 2020 no Twitter, em uma thread sobre as medidas que estão sendo tomadas em Pequim contra o novo coronavírus.

“Uma das coisas boas é que a contaminação ambiental em Pequim foi reduzida e os dias estão azuis. Como você verá, não há uma alma nas ruas (deixo uma foto comparativa ao final de um dia com smog [neblina associada à poluição])”, escreveu o usuário, em espanhol, ao compartilhar a comparação e outras três imagens da mesma área.

Contactado pela equipe de checagem da AFP via Twitter, o usuário - @zaritzky, um argentino que mora em Pequim - confirmou que tirou as duas fotos da janela de sua casa na capital chinesa: a poluída em outubro de 2019 e a com céu limpo, em março deste ano.

À AFP, @zaritzky enviou os metadados de ambas as imagens, confirmando as datas e o local onde foram tiradas.

Em conversa com a equipe de checagem da AFP, Zaritzky afirmou que tem tirado esta mesma foto desde que se mudou para a capital chinesa, há 3 anos, e que “apesar da tempestade de areia que poluiu o ar em Pequim na manhã de ontem [18 de março], todos os dias pelo último mês tem estado azuis. Isso é algo que eu nunca vi antes em Pequim”.

Nasa detecta redução de emissões sobre a China

De fato, entre janeiro e fevereiro deste ano, a Nasa detectou uma redução nas concentrações de dióxido de nitrogênio, “um gás nocivo emitido por veículos motorizados, usinas elétricas e fábricas”, sobre a China, incluindo a capital, Pequim.

“Satélites de monitoramento da Nasa e da Agência Espacial Europeia (ESA) detectaram reduções significativas no dióxido de nitrogênio (NO2) sobre a China. Há evidências de que essa mudança está ao menos parcialmente relacionada com a desaceleração econômica que seguiu o surto do coronavírus”, explicou a agência em seu site.

Até 20 de março, o novo coronavírus infectou mais de 250 mil pessoas, deixando mais de 11 mil mortos e múltiplos países em quarentena por todo o mundo.

Em resumo, apesar de questionada em redes sociais, esta comparação realmente mostra a variação dos níveis de poluição em Pequim após a detecção do novo coronavírus. Segundo a Nasa, a diminuição das atividades econômicas em decorrência da pandemia resultou em uma redução das emissões de dióxido de nitrogênio sobre a China.

AFP Brasil