Vídeo de detentos com celulares mostra bastidores da gravação de videoclipes, e não um presídio real
- Publicado em 20 de julho de 2026 às 22:32
- 3 minutos de leitura
- Por Laura ABREU, AFP Brasil
Em 13 de julho de 2026, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) foi proibido de visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, até depois das eleições de outubro. Como crítica à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), internautas passaram a compartilhar um suposto vídeo de presos com celulares em um presídio. Mas a sequência viral, que acumula mais de 2 milhões de visualizações, mostra bastidores da gravação de videoclipes no antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de Belo Horizonte.
“Enquanto Bolsonaro não pode falar com o filho, presos desfilam com celulares dentro dos presídios do Brasil”, dizem publicações que compartilham um vídeo no Instagram, no Facebook, no X, no Threads, no YouTube, no Telegram, no TikTok e no Kwai.
Na sequência viral, vê-se diferentes homens com vestimentas vermelhas identificadas com a palavra “interno” que exibem aparelhos celulares para a câmera no que parece ser um presídio.
O conteúdo passou a circular após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes proibir, em 13 de julho de 2026, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de visitar o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, até depois do primeiro turno das eleições, em outubro.
A decisão ocorreu após o pré-candidato divulgar em suas redes sociais uma carta escrita por Bolsonaro em que ele apoia a sua candidatura. O ex-presidente cumpre pena em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado e não está autorizado a utilizar e expressar suas opiniões nas redes sociais, inclusive por terceiros.
Embora o uso de celulares em presídios aconteça mesmo com a proibição pela legislação, a sequência viral não mostra uma cena real.
Gravação de videoclipe
Uma busca reversa por fragmentos da sequência viral levou ao perfil do TikTok do ator e humorista Felipe Lopes, que publicou diferentes vídeos em que se vê homens com os mesmos uniformes vermelhos e em um ambiente similar ao visto nas peças de desinformação.
Diferentes gravações (1, 2, 3, 4) publicadas entre julho e agosto de 2025 mostram uma equipe de gravação no mesmo cenário e um homem com uma camiseta com a inscrição “Tom Produções”. Em um desses vídeos é utilizado o áudio de uma música identificada pela AFP como sendo “Pena Provisória”, do MC Caçula.
Uma busca no YouTube pelo termo “Tom Produções” levou ao canal de uma produtora com diferentes videoclipes.
Dentre os vídeos compartilhados pela produtora, a AFP identificou que os videoclipes das músicas “Pena Provisória” e “Vida Loka Também Ama”, do MC Bó do Catarina, foram gravados em um cenário idêntico ao visto na sequência viral.
Além do cenário, é possível identificar os mesmos uniformes usados pelos atores. Alguns deles aparecem tanto nos videoclipes quanto na sequência viral:
A AFP entrou em contato com a Tom Produções, que confirmou que a sequência viral mostra bastidores das gravações dos videoclipes e que “provavelmente” ela foi feita por um dos figurantes.
Também foi informado que os videoclipes foram gravados em dias diferentes com a mesma equipe de figurantes e mesmo figurino no Memorial dos Direitos Humanos de Belo Horizonte, antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) que era utilizado como espaço de prisão e tortura durante a ditadura militar.
Uma consulta às fotos disponíveis do local no Google Maps mostra um corredor com o mesmo piso, celas e iluminação vistos na imagem viral.
Esse conteúdo também foi verificado por Aos Fatos, Estadão Verifica e UOL Confere.
Referências
- Vídeos do TikTok de Felipe Lopes (1, 2, 3, 4)
- Videoclipe “Pena Provisória”
- Videoclipe “Vida Loka Também Ama”
- Página do Google Maps do Memorial dos Direitos Humanos de Belo Horizonte
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