Propriedade de idosa em Goiás foi desapropriada pelo governo estadual para obra de duplicação na GO-330

Em maio de 2026, vídeos em que uma idosa tenta impedir a desapropriação de sua fazenda em Goiás acumularam mais de 1,3 milhão de visualizações. A sequência, que mostra uma senhora confrontando um policial, passou a circular, em junho, com alegações de que seria uma ação do governo federal. Mas isso é falso: a desapropriação foi determinada pelo governo estadual para a duplicação de uma rodovia. 

“Idosa de 78 anos vira símbolo de protesto contra desapropriação em Goiás”, lê-se em um vídeo que circula no Instagram, no Facebook e no TikTok.

Na sequência, uma idosa confronta um policial militar e se recusa a sair de uma propriedade. O conteúdo circula com menções que culpabilizam o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela desapropriação. 

“Lula é a segunda maior vergonha do Brasil. A primeira é quem fecha os olhos para o que está acontecendo”, dizem as postagens.

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Captura de tela feita em 10 de julho de 2026 de uma publicação no TikTok (.)

Uma busca reversa por fragmentos do vídeo viral levou a outras publicações, feitas em maio de 2026, com a mesma gravação (1, 2). 

A legenda dessas postagens afirma que a cena ilustra um impasse entre as autoridades locais e uma moradora da região de Catalão, em Goiás, que teve sua propriedade desapropriada devido à duplicação da rodovia GO-330. 

De acordo com uma dessas publicações, que contém uma outra versão da filmagem viral, a idosa do vídeo seria Maria da Paz. Uma pesquisa no Google pelos termos “desapropriação”, “Goiás” e “GO-330” levou a uma notícia do portal g1 sobre um outro vídeo viral em que uma senhora com esse mesmo nome se ajoelha em frente a um maquinário em Goiás. 

Segundo o texto, a fazenda de Maria da Paz localizada entre Catalão e Ipameri, é uma das propriedades que precisam ser desapropriadas para a duplicação da rodovia.

A obra, iniciada em 2025, é executada pelo governo estadual através da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) e possui investimento de cerca de R$ 400 milhões. 

De acordo com a imprensa local, a idosa recebeu R$ 550 mil pela desapropriação que foi autorizada pela Justiça em março de 2026, mas reivindica um valor superior a R$ 5 milhões. 

O mesmo texto informa que, no total 46 proprietários da região tiveram suas áreas desapropriadas para a obra. Parte deles se manifestou contra os termos da desapropriação.

A mesma busca no Google também levou a um decreto do governo estadual, de setembro de 2025, que determina a desapropriação das propriedades nas áreas de terra onde serão realizadas as obras da GO-330 entre Ipameri e Catalão. 

Não há nenhuma menção ao governo federal nas notícias sobre a obra ou até mesmo no decreto de desapropriação.  

Segundo uma notícia publicada pelo governo de Goiás em março de 2025, o projeto executivo da obra foi elaborado com recursos estaduais.

Em contato com o Checamos em 10 de julho, o Ministério de Transportes do governo federal reafirmou que a obra é de responsabilidade do governo de Goiás. 

Esse conteúdo também foi verificado por Aos Fatos, UOL Confere e pela Reuters. 

Referências 

  • Vídeos das redes sociais que citam a duplicação da GO-330 (1, 2, 3)
  • Notícias sobre as manifestações dos proprietários (1, 2)
  • Notícias sobre a duplicação da GO-330 (1, 2)
  • Decreto sobre a desapropriação 

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