Jair Bolsonaro não foi “absolvido de todas as acusações” em 2026; vídeo mostra repercussão do voto de Fux em 2025

O ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão desde novembro de 2025, quando foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Mesmo assim, publicações visualizadas mais de 300 mil vezes nas redes sociais alegam que o ex-mandatário teria sido “absolvido de todas as acusações” em maio de 2026. Mas as postagens são embasadas no trecho de uma notícia sobre o voto do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento que condenou Bolsonaro, em setembro de 2025. Na ocasião, Fux o absolveu, mas foi derrotado por 4 votos a 1.

“Bolsonaro é absolvido em todas as acusações”, diz a mensagem sobreposta ao vídeo viral, que contém a data “17/05/2026”, em publicações que circulam no Facebook, no Instagram e no TikTok.

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Captura de tela feita em 20 de maio de 2026 de uma publicação no TikTok (.)

As postagens difundem o trecho de um telejornal da CNN Brasil repercutindo uma decisão do ministro Luiz Fux que defendeu absolver o ex-presidente Jair Bolsonaro de “todos os crimes”. No início, o apresentador Márcio Gomes diz que “isso não era esperado nem pela defesa de Jair Bolsonaro”.

Mas o voto ao qual a reportagem se refere não é recente, nem levou efetivamente a uma absolvição do ex-presidente.

Voto vencido em 2025

Uma busca reversa por fragmentos da sequência viral levou ao vídeo original, publicado no canal da CNN Brasil no YouTube em 10 de setembro de 2025. Nessa data, Fux havia votado pela absolvição do ex-mandatário no julgamento do chamado Núcleo 1 da trama golpista.

Em seu voto, o ministro considerou a incompetência absoluta do tribunal para julgar um ex-presidente, argumentando que o réu já não exercia mais cargo público no momento em que a denúncia foi aceita, e absolveu Bolsonaro de todos os crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

No entanto, Fux foi derrotado pelos outros ministros da Primeira Turma do STF, que formaram maioria para condenar, por 4 votos a 1, o ex-presidente a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes relacionados a um plano de golpe de Estado para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após as eleições de 2022.

Até o momento, todos os recursos apresentados pela defesa de Bolsonaro para reverter sua condenação foram negados pelo STF (1, 2). Um novo recurso foi apresentado à Corte em 8 de maio, mas o AFP Checamos não localizou nenhum registro de que já tenha sido avaliado.

O ex-mandatário, que cumpria pena em regime fechado, está atualmente em prisão domiciliar provisória, em recuperação de uma broncopneumonia que o deixou internado por duas semanas em março de 2026.

Conteúdo semelhante foi verificado pela Reuters.

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