Governo não propõe taxar entregadores; vídeo distorce fala de Boulos sobre proposta de regulamentação
- Publicado em 13 de março de 2026 às 18:37
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- Por Michelly NERIS, AFP Brasil
Ministros do governo Lula e deputados se reuniram, em 10 de março de 2026, para discutir o projeto de regulamentação do trabalho por aplicativo que tramita na Casa. Desde então, um vídeo em que o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, fala sobre a proposta do governo para o setor foi visualizado mais de 1 milhão de vezes em publicações que alegam que ele defendeu a taxação de entregadores. Porém, Boulos defendeu uma remuneração mínima de R$ 10 por entrega de até 4 quilômetros, e não uma taxa.
“Boulos vai taxar os entregadores! R$ 10,00 + R$ 2,50 por km. Esse é o Brasil de Lula”, lê-se junto a uma gravação de Boulos compartilhada pelo vereador de São Paulo Rubinho Nunes (União Brasil). O vídeo também circula com alegação semelhante no Facebook, no Instagram, no Kwai, no Threads e no TikTok.
Na filmagem, Guilherme Boulos diz: “Uma demanda dos entregadores de aplicativo, dos motoqueiros é uma taxa mínima de 10 reais com adicional de 2,50 por quilômetro rodado. Vamos buscar diálogo para ver se é possível adicionar no relatório. Se não for, o governo pretende apresentar como emenda”.
O conteúdo começou a circular após o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), se reunir com Boulos e outros ministros do governo Lula para discutir o projeto de lei que regulamenta o trabalho por aplicativos de transporte de passageiros, como a Uber, ou entrega de refeições, como o iFood.
Entretanto, o governo propõe, na verdade, estabelecer um pagamento mínimo para entregas com percursos de até 4 quilômetros.
Entenda a proposta
Por meio de uma busca por palavras-chave, o Checamos localizou a entrevista original de Boulos publicada em 10 de março de 2026 no canal da Câmara dos Deputados. Nela, o ministro criticou a taxa de retenção que as plataformas recebem em cima do valor da corrida ou da entrega e defendeu uma remuneração mínima para o motorista.
“Um entregador de iFood, hoje ele recebe um valor defasado por entrega que ele faz. Não tem nenhum direito garantido, sendo que todo o custo e todo o risco é dele. Nós precisamos equilibrar essa balança", disse o ministro.
Questionado por uma jornalista sobre qual seria essa remuneração mínima, Boulos ressaltou que a proposta do governo é um pagamento de R$ 10 por entrega de até 4 quilômetros com adicional de R$ 2,50 por quilômetro percorrido. Atualmente, o texto do projeto propõe um piso de R$ 8,50 para distâncias variáveis (2 a 4 quilômetro no transporte; 3 a 4 quilômetro nas entregas).
Após a repercussão do caso, Boulos reiterou em suas redes sociais que a proposta do governo é estabelecer uma “remuneração digna” e que atenda às reivindicações da categoria. O ministro também explicou que, atualmente, entregadores do iFood ganham R$ 7,50 para um rota de até 4 quilômetros com adicional de R$ 1,50 por quilômetro percorrido.
Referências
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