Ranking global classificou Legislativo brasileiro como 2º mais corrupto, e não Judiciário

  • Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 19:14
  • 3 minutos de leitura
  • Por AFP Brasil

Em 2024, o Brasil ficou na 80ª posição entre 142 países analisados pelo índice do Estado de Direito do projeto independente World Justice Project (WJP). Desde 19 de janeiro de 2026, publicações nas redes sociais com mais de 240 mil interações voltaram a repercutir essa edição do índice para alegar que o Judiciário brasileiro foi apontado como o segundo mais corrupto do mundo. No entanto, essa classificação foi apontada para o Legislativo brasileiro pelo levantamento. O Brasil figurou na posição 113º entre os países na categoria que avalia a eficiência do Judiciário. 

“Judiciário brasileiro é eleito o 2º mais corrupto e injusto do mundo, segundo ranking global”, diz texto sobreposto a uma imagem dos ministros do Supremo Tribunal Federal que circula no Facebook, no Instagram, no X, no Threads, no TikTok, no Kwai e no YouTube

Image
Captura de tela feita em 23 de janeiro de 2026 de uma publicação no Facebook (.)

Uma das publicações informa na legenda que a classificação seria do ranking Rule of Law Index 2024, um índice publicado em outubro de 2024 que mede o Estado de Direito nos países analisados pelo projeto independente World Justice Project (WJP)

O índice avalia um conjunto de oito fatores em cada país: restrições aos poderes do governo, ausência de corrupção, governo aberto, direitos fundamentais, ordem e segurança, aplicação regulatória, Justiça civil e Justiça criminal. 

Uma consulta ao desempenho do Brasil na edição de 2024 identificou que o país foi classificado em 80º na pontuação geral entre os 142 países analisados. 

No fator Justiça criminal — que avalia se o sistema do país é eficiente, levando em consideração a atuação da polícia, advogados, promotores, juízes e agentes penitenciários — o país, de fato, figurou entre os piores e atingiu a 113ª posição entre os 142 países.  

O fator justiça criminal é composto por 7 subfatores. Dentre esses subfatores, no quesito “imparcialidade do sistema criminal” — que avalia se juízes criminais e a polícia são imparciais e se discriminam com base em critérios como status socioeconômico, gênero, etnia, religião, nacionalidade, orientação sexual ou identidade de gênero —-, o país empatou em último com a Venezuela, com 0,10 pontos (em um ranking em que 1 é a nota mais alta) . 

Já no subfator que avalia se o sistema criminal é ou não livre de corrupção, o Brasil ficou em 63º lugar dentre os 142 países analisados. O país atingiu 0,55 nessa categoria, ficando com a mesma pontuação da média global e acima da média regional de 0,52. 

Avaliação citada nas redes corresponde ao Legislativo

Já no fator ausência de corrupção, o país figura como o segundo com 0,08 pontos na sub-categoria que avalia o uso da política por membros do poder Legislativo para ganhos privados, atrás apenas do Haiti que alcançou 0,05 pontos. Empatados com o Brasil, também com pontuação de 0,08, estão Quênia, Ucrânia e El Salvador. 

O fator avaliou a presença de corrupção no Executivo, no Judiciário, no Legislativo e nas forças policiais e militares. Dentre todos esses poderes brasileiros, o Judiciário foi o que recebeu melhor avaliação (0,69) no quesito ausência de corrupção — colocando o Brasil acima das médias global e regional (0,61). 

Image
Captura de tela feita em 26 de janeiro de 2026 do site do World Justice Project (WJP) (.)

Uma busca no Google com os termos “ranking”, “judiciário brasileiro” e “2024” mostrou que os resultados do índice de 2024 foram repercutidos pelo portal Poder360 e pelo Jornal da Universidade do Estado de São Paulo (USP), na época de sua divulgação. 

Nas notícias são destacados o desempenho ruim do país na categoria do sistema criminal e o segundo lugar na categoria que avalia a corrupção no Legislativo.  

A edição de 2025 do ranking foi publicada em outubro de 2025 e o Brasil subiu 1,1% no ranking geral, atingindo o lugar 78º de 143 países.

Quando analisadas as categorias isoladas, o país permanece como o segundo na classificação geral da corrupção no Legislativo no fator “ausência de corrupção”, à frente apenas do Haiti. 

Com relação ao fator “Justiça criminal”, na subcategoria de imparcialidade do sistema criminal, o país, agora empata com El Salvador com 0,11 pontos, à frente apenas da Venezuela com 0,10 pontos.  

Esse conteúdo também foi verificado pelo Estadão Verifica

Referências 

  • Índice do Estado de Direito de 2024 (1, 2)
  • Notícias sobre o ranking de 2024 (1, 2)
  • Índice do Estado de Direito de 2025 (1, 2)

Há alguma informação que você gostaria que o serviço de checagem da AFP no Brasil verificasse?

Entre em contato conosco