Lula não chamou Erika Hilton de “ele”; mandatário se referia a outra deputada

  • Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 22:10
  • 4 minutos de leitura
  • Por AFP Brasil

Em 16 de janeiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um discurso sobre os perigos da inteligência artificial (IA) para mulheres. Nessa fala, o mandatário usou o pronome masculino para se referir a uma mulher que chama de Erica e que estava na plateia. Desde então, publicações com mais de 1 milhão de visualizações associam o discurso à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), alegando que Lula teria sido transfóbico. Mas o mandatário se referia à deputada estadual Elika Takimoto (PT-RJ), que é uma mulher cis.

Lula critica IA, diz que pode ‘deixar Erika Hilton pelada’ e fala ‘ele’, gerando polêmica”, lê-se em um vídeo publicado no Facebook. A alegação também circula no X, no Kwai, no Instagram e no TikTok, e foi compartilhada pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) e pelo deputado estadual do Rio de Janeiro Rodrigo Amorim (União Brasil).

As publicações alegam que Lula teria sido transfóbico com Erika Hilton, uma das primeiras deputadas federais transgênero eleitas no Brasil, durante um discurso sobre inteligência artificial. 

“Vocês, mulheres, tomam cuidado com essa tal de inteligência artificial. Eles são capazes de tirar uma foto sua, sentada do jeito que você tá aqui e colocar você pelada no celular. É isso que é inteligência artificial. Ele é capaz de tirar uma foto da Érica vestidinha do jeito que ele tá, com a perna cruzada e amanhã aparecer no celular a Érica sentada pelada aqui”, diz o mandatário na gravação.

Image
Captura de tela feita em 22 de janeiro de 2026 de uma publicação no Facebook (.)

A fala ocorreu no último 16 de janeiro durante um evento de comemoração dos 90 anos do salário mínimo. Na gravação original, Lula direciona o discurso às mulheres e ao perigo que a IA representa para elas. De fato, em um breve momento, o mandatário usa o pronome masculino para se referir a uma mulher. Mas não se trata de Erika Hilton.

Após a repercussão das publicações, Hilton se manifestou em suas redes sociais em 18 de janeiro, explicando que sequer estava no evento. “Eles [bolsonaristas] viram Lula falar com alguma Erika e concluíram que só podia ser eu. Aí viram Lula falar ’ele’, e foi o suficiente pra começar a nova onda de ataques”.

Em 19 de janeiro, Erika Hilton acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para investigar os conteúdos virais que acusam Lula de transfobia.

No mesmo dia do pronunciamento de Erika Hilton, a deputada Elika Takimoto, que é uma mulher cis, veio a público explicar que Lula se referia a ela. 

Takimoto já havia repercutido o discurso de Lula em suas redes no dia do evento, antes das publicações virais relacionarem a fala a Erika Hilton. “Nesta ocasião em que comemoramos 90 anos do Salário mínimo, fui escolhida por Luiz Inácio, no meio de uma plateia gigante, como exemplo para alertar sobre os perigos da IA para mulheres (algo que venho falando nas redes e denunciando) e para que ele explicasse como é melhor uma renda distribuída do que concentrada”, disse a deputada.

Este conteúdo também foi checado por Estadão Verifica e Aos Fatos.

Referências

Há alguma informação que você gostaria que o serviço de checagem da AFP no Brasil verificasse?

Entre em contato conosco