Relatório da ONU sobre a fome no Brasil usou dados de 2022, e não do governo Lula
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- Publicado em 24 de julho de 2023 às 17:16
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- Por AFP Brasil
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“Depois que Lula assumiu a presidência a fome voltou”, diz o texto sobreposto a vídeos compartilhados no TikTok, no Instagram, no Kwai e no Facebook.
A afirmação circula em diferentes formatos (1, 2), mas sempre atrelados a reportagens transmitidas por telejornais sobre o aumento da fome no país.
Em julho de 2023, a ONU divulgou o relatório intitulado “O estado da segurança alimentar e nutrição no mundo 2023”. No documento, relata-se, de fato, o aumento da fome no Brasil, que soma 21,1 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar.
O texto acrescenta que há no país outras 70,3 milhões de pessoas com algum grau de insegurança alimentar e 10,1 milhões com desnutrição.
Mas, apesar da constatação sobre o aumento da insegurança alimentar entre os brasileiros, é enganoso atribuí-lo ao governo Lula, já que os dados foram coletados até 2022, antes, portanto, da posse presidencial.
Embora as publicações vinculem o aumento da fome ao governo Lula, as próprias reportagens usadas de base para o conteúdo viral mencionam o período de 2020 a 2022, citado pela ONU.
O mesmo período é citado aos 43 minutos e 54 segundos da íntegra da reportagem do Jornal da Record e nas sequências transmitidas pela TV Globo e pelo SBT, replicadas em algumas das publicações enganosas.
Corte do Bolsa Família
Algumas publicações relacionam o aumento da fome a um suposto corte no programa Bolsa Família realizado nos primeiros meses do mandato de Lula.
Já na gestão do petista, o governo federal esclareceu ter feito um corte de “1,5 milhão de cadastros que não atendem aos requisitos para participarem” do programa. De acordo com a Secretaria de Comunicação Social, “a maioria desses cadastros pertence a pessoas com renda acima da de beneficiários”.
Segundo dados do Ministério da Cidadania, em julho de 2023 20,89 milhões de famílias receberam o Bolsa Família.
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