Esta faixa pedindo Alexandre de Moraes no STF no “salve geral” do PCC em 2006 é uma montagem

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Uma foto de presos próximos a duas faixas penduradas em um prédio, uma delas com a frase “Alexandre de Moraes no STF”, voltou a circular nas redes sociais em 2022 com centenas de compartilhamentos. Segundo as publicações, o registro foi feito durante o chamado “salve geral” do Primeiro Comando da Capital (PCC) em 2006. Mas a imagem foi alterada, pois a mensagem original era “Contra a opressão”.

Pra quem acha que tudo é fake news, relembrar é viver. Ocorreu no ‘salve geral do PCC em 2006. Seria cômico se não fosse trágico” é a mensagem que acompanha a fotografia no Facebook (1, 2), Instagram  (1, 2) e Twitter (1, 2).

Esse mesmo conteúdo já havia circulado em 2020 e 2021.

Captura de tela feita em 25 de abril de 2022 de uma publicação no Instagram ( . / )

Na foto viral vê-se vários presos em cima de um edifício, muitos deles com os rostos cobertos, e duas faixas: “PCC Paz, Justiça e Liberdade” e “Alexandre de Moraes no STF”, esta última em referência a um dos atuais ministros do Supremo Tribunal Federal. 

As postagens voltaram a circular no contexto da condenação pelo STF do deputado federal pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB-RJ) Daniel Silveira a oito anos e nove meses de prisão pelos “crimes de ameaça ao Estado Democrático de Direito e coação no curso do processo”.

O relator do processo é o ministro Alexandre de Moraes, alvo da desinformação.

Imagem adulterada

Uma busca reversa no Google Imagens pela fotografia levou a uma matéria publicada no site El País Brasil em março de 2014 sobre o PCC. Na imagem há o crédito ao fotógrafo Alex Silva, do Estadão, e a seguinte legenda: “Presos durante rebelião de maio de 2006”.

Na foto, observa-se que a frase contida na faixa da direita, que menciona o ministro Alexandre de Moraes nas publicações viralizadas, sofreu alterações, já que originalmente dizia “Contra a opressão”.

Buscando as palavras “PCC + Alex Silva + Estadão”, o AFP Checamos encontrou uma matéria especial publicada pelo Estadão em 2016, marcando os 10 anos dos ataques do PCC. Em um dos textos deste conjunto está, junto a outros registros, uma foto de Alex Silva da mesma cena.

Comparação feita em 26 de abril de 2022 entre a imagem viral (E) e a vista na matéria especial do Estadão ( . / )

Além desta, o jornal O Estado de S. Paulo colocou em sua capa de 15 de maio de 2006 uma outra imagem da ação dos presos.

Em maio de 2020, em contato por e-mail com o Estadão Conteúdo, que enviou ao Checamos as informações da foto, foi possível confirmar a data e o local da imagem viralizada: 14 de maio de 2006, na penitenciária de Junqueirópolis, em São Paulo. 

Segundo a legenda da foto, “os guardas da muralha dispararam para evitar uma possível fuga dos rebelados. O motim começou às 7 horas de hoje, quando familiares entravam para a visita. Os rebelados subiram no telhado e prenderam faixas na caixa d´água”.

Anteriormente, o ministro Alexandre de Moraes havia autorizado diligências no âmbito do inquérito 4.781 para investigar notícias fraudulentas “que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal e de seus membros”.

Moraes tomou posse do cargo em 22 de março de 2017, mais de 10 anos depois dos ataques do PCC, após a nomeação do então presidente Michel Temer. De 2005 a 2007 - período que coincide com os ataques em São Paulo registrados na fotografia -, o agora ministro do STF ocupou a vaga de jurista da 1ª composição do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A onda de ataques iniciada em maio de 2006, popularmente conhecida como “salve geral”, teve como estopim a decisão da Secretaria de Administração Penitenciária de transferir centenas de presos, entre eles, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o líder do PCC.

Presos de 29 penitenciárias e Centros de Detenção Provisória se rebelaram, incluindo os detentos da penitenciária de Junqueirópolis, onde foi feito o registro de Alex Silva. As ações paralisaram São Paulo e houve algumas retaliações que deixaram civis mortos.