Geddel não foi absolvido no caso dos “51 milhões”: cumpre condenação de 14 anos de prisão

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Publicações afirmando que o ex-ministro e ex-deputado federal Geddel Vieira Lima foi absolvido por falta de provas no caso das malas encontradas em um “bunker” com 51 milhões de reais voltaram a circular nas redes em 2021. Mas isso é falso: Vieira Lima foi condenado em 2019 pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal a 14 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

“Como é que um cara que é pego com 50 milhões em várias malas no seu apartamento - que levou 3 dias para serem contados pera o país todo - é absolvido por falta de provas?”, questionam as postagens, compartilhadas mais de 116 mil vezes no Facebook (1, 2, 3) desde meados de janeiro.

Essas publicações, contudo, já circulavam desde julho de 2018 no Twitter (1) e também no Instagram (1, 2) e em sites.

Captura de tela feita em 1º de março de 2021 de uma publicação no Facebook

As publicações fazem referência ao caso ocorrido em setembro de 2017, quando a Polícia Federal encontrou cerca de 20 malas e caixas com reais e dólares em um apartamento em Salvador, Bahia, que, segundo o proprietário, foi emprestado a Geddel Vieira Lima (MDB). Geddel foi ministro da Integração Nacional (2007-2010) durante o governo Lula e ministro-chefe da Secretaria de Governo (2016) na gestão de Michel Temer.

Os valores descobertos na chamada “Operação Tesouro Perdido” totalizaram 42,643 milhões de reais e 2,688 milhões de dólares.

O Ministério Público Federal apresentou uma denúncia na qual Geddel, seu irmão Lúcio e sua mãe Marluce Vieira Lima, juntamente com o assessor parlamentar Job Brandão, são acusados de lavarem dinheiro e ocultarem os valores por meio de empreendimentos administrados pelo empresário Luiz Fernando Costa.

A fotografia presente nas publicações viralizadas, divulgada na época pela Polícia Federal, mostra as caixas apreendidas durante a operação no apartamento em Salvador.

Captura de tela feita em 2 de março de 2021 de uma matéria publicada no site da revista Veja em setembro de 2017

Uma busca no site do Supremo Tribunal Federal mostrou que em 22 de outubro de 2019 o ex-ministro e ex-deputado federal foi condenado pela Segunda Turma do STF “a 14 anos e 10 meses de reclusão e 106 dias-multa, em regime inicial fechado, pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa”.

Lúcio Vieira Lima também foi condenado a 10 anos e 6 meses de prisão e ao pagamento de 60 dias-multa, enquanto Job Brandão e Luiz Fernando Costa foram absolvidos por falta de provas.

No início de fevereiro de 2021, a mãe de Geddel Vieira Lima, Marluce, foi condenada pela Justiça Federal de Brasília a 10 anos de reclusão também pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ainda cabe recurso à decisão.

Em julho de 2020, já durante a pandemia de covid-19, o ministro e presidente do STF, Dias Toffoli, autorizou a prisão domiciliar humanitária, com monitoração eletrônica, do ex-deputado federal com base em um laudo que indicava que seu quadro de saúde apresentava risco real de morte.

Segundo Toffoli, Vieira Lima “não só integra o grupo de risco, como apresenta comorbidades preexistentes que evidenciam seu fragilizado estado de saúde, com risco real de morte”.

Em outubro de 2020, a defesa de Geddel Vieira Lima apresentou um pedido de progressão de regime, de fechado para semiaberto, que foi negado pela Segunda Turma do Supremo. A decisão se baseou no fato de que o ex-ministro ainda não havia pago a multa estipulada.

Absolvido em caso anterior

Em julho de 2017, antes da apreensão dos mais de 50 milhões de reais, Geddel Vieira Lima foi preso preventivamente pela Polícia Federal sob a acusação de obstrução da Justiça em meio à investigação de irregularidades cometidas na Caixa Econômica Federal.

Um ano depois, contudo, um juiz da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília absolveu Vieira Lima ao considerar que as provas apresentadas não eram suficientes para condená-lo.

Um conteúdo semelhante também foi checado pelas equipes da Agência Lupa, do Boatos.org e do Estadão Verifica.

AFP Brasil