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Alysia Montaño correu os 800 metros quando estava grávida, mas não ganhou a disputa

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A foto de uma atleta grávida correndo somou mais de 4,4 mil interações nas redes sociais desde o último dia 7 de agosto ao ser acompanhada da alegação de que ela estava com cinco meses de gestação e venceu uma prova de 800 metros. Embora Alysia Montaño realmente estivesse grávida - de oito meses -, ela ficou na última colocação da disputa, realizada durante o campeonato norte-americano de atletismo em Sacramento, na Califórnia, em 26 de junho de 2014.

“Atleta norte-americana ‘Alysia Montana’, que está grávida de cinco mêses, venceu os 800 metros no estados Unidos”, indica a legenda de uma das publicações no Facebook (1, 2, 3), nas quais a imagem de Montaño, usando uma camiseta rosa, foi compartilhada mais de 1,7 mil vezes.

A fotografia acompanhada dessa afirmação também viralizou no Instagram (1, 2) e em outros idiomas, como francês, espanhol e bengali.

Captura de tela feita em 13 de agosto de 2021 de uma publicação no Facebook ( . / )

Alysia Montaño é uma atleta norte-americana especialista em provas de 800 metros e hoje heptacampeã nacional nos Estados Unidos. Mas o feito que lhe é atribuído nas publicações viralizadas é falso.

Última colocada nos 800 metros em 2014

Uma busca reversa pela imagem no Google levou à foto original - na qual Alysia Montaño está vestindo a mesma roupa vista na fotografia viralizada -, registrada por Rich Pedroncelli, fotógrafo da agência de notícias Associated Press (AP), em 26 de julho de 2014.

Encontrada no banco de imagens da AP, a fotografia conta com a seguinte legenda: “Alysia Montaño, à esquerda, com 34 semanas de gravidez, compete nas quartas de final dos 800 metros no campeonato norte-americano de atletismo ao ar livre em Sacramento, na Califórnia, em 26 de junho de 2014”.

Captura de tela feita em 13 de agosto de 2021 da foto que integra o banco de imagens da Associated Press ( . / )

Este artigo da AFP, que cobriu o evento esportivo, informa que Alysia Montaño, “pentacampeã nacional, terminou as baterias de 800 metros na última colocação com o tempo de dois minutos e 32 segundos”.

Mas, de acordo com a atleta, não se tratava de correr rápido. Ela declarou que fez isso para mostrar que as mulheres “podem estar em forma durante a gravidez e continuar suas carreiras enquanto constroem uma família”.

Em entrevista à emissora norte-americana CBS de Los Angeles, Montaño explicou que ela e o marido planejaram a gravidez para um período de intervalo, a fim de que ela pudesse participar dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

“Eu sei que existe muito estigma, mas há, principalmente, ignorância sobre gravidez e exercícios. Na verdade, fazer exercício é bom para a mãe e para o bebê”, disse a atleta, apelidada pelos norte-americanos de “The flying flower”, “a flor voadora”, em tradução livre do inglês.

Em 2017, a atleta repetiu a experiência. Na ocasião, ela usou um top com a estampa da Mulher Maravilha e mostrou a barriga de cinco meses de gestação durante a disputa em um campeonato de atletismo.

Alysia Montaño dá água para sua filha enquanto fala com a imprensa em Sacramento, na Califórnia, em 22 de junho de 2017 ( AFP / Rob Woollard)

Comprometida com a maternidade no esporte

Em 2019, Alysia Montaño ganhou as manchetes ao se posicionar contra a fabricante de roupas esportivas Nike, que patrocina diversos atletas. Ela acusou a marca de penalizar financeiramente as mulheres que tiraram licença maternidade.

Ao jornal The New York Times, Montaño denunciou que “a marca poderia reduzir os pagamentos de patrocínio de um atleta por qualquer motivo, se ele não atingisse os padrões de desempenho, sem ‘exceções para parto, gravidez ou maternidade’”.

Em agosto do mesmo ano, a Nike anunciou mudanças em sua política e passou a prever em contrato salário e bonificação às atletas patrocinadas por cerca de 18 meses em razão de gravidez.

Tradução e adaptação