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O meme que relaciona preço do gás com salário mínimo nos governos Lula e Bolsonaro é enganoso

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Publicações que comparam o preço do botijão de gás nos governos de Lula e Bolsonaro e o valor do salário mínimo nesses períodos voltaram a circular nas redes sociais no final de julho de 2021, somando mais de 10,6 mil compartilhamentos. Mas alguns números utilizados estão incorretos: quando o salário mínimo estava em torno de 250 reais, o botijão de gás não custava 35 reais, mas por volta de 30 reais. Até meados de agosto deste ano, o preço médio do GLP ultrapassava os 93 reais.

O meme que voltou a ser compartilhado no Facebook (1, 2, 3) mostra a imagem de botijões de gás com dois valores diferentes e a seguinte descrição: “Como é bom poder relembrar! Com o ‘ladrão’: R$ 35,00 Com o ‘honesto’: R$ 85,00”

Abaixo na imagem, mais dois botijões fazem a comparação de que, no governo Lula, quando o gás custava R$ 35,00, o salário mínimo era de R$ 250,00, o que equivalia a 15% da quantia. Já no caso do botijão a R$ 85,00, durante o governo Bolsonaro, o meme indica que, com o salário mínimo a 1.100 reais, isso corresponde a 8% do valor.

Captura de tela feita em 15 de agosto de 2021 de uma publicação no Facebook ( . / )

Uma consulta ao site do governo Ipeadata para conferir a evolução dos salários mínimos no âmbito federal mostra que durante o período em que Luiz Inácio Lula da Silva esteve no poder, de 1º de janeiro de 2003 a 1º de janeiro de 2011, o salário mínimo variou de R$ 200,00 nos três primeiros meses de mandato chegando a R$ 540,00, em janeiro de 2011.

Ao longo de todo mandato do presidente petista, os valores do salário mínimo foram de R$ 200,00, R$ 240,00, R$ 260,00, R$ 300,00, R$ 350,00, R$ 380,00, R$ 415,00, R$ 465,00, R$ 510,00 e R$ 540,00. Nenhum foi de R$ 250,00, como indica a publicação viralizada.

Uma segunda consulta, dessa vez na seção de Preços do site da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), permite verificar a variação desde 2001 e a série histórica do levantamento de preços de revenda do gás liquefeito de petróleo (GLP), também conhecido como “gás de cozinha”.

A primeira vez que o preço médio de revenda do botijão de GLP de 13 quilos atingiu os R$ 35,00 durante o governo Lula foi em junho de 2009 - a R$ 35,35 -, momento em que o salário mínimo no país estava em R$ 465,00. Assim, nesse mês, o preço do gás equivalia a 7,7% do salário mínimo.

No período em que o salário mínimo estava em torno de R$ 250,00, como apontam as postagens viralizadas, nesse caso R$ 240,00 ou R$ 260,00, de abril de 2003 a abril de 2005, o preço médio de revenda do GLP sequer atingiu os R$ 35,00.

Uma média dos preços do gás de abril de 2003 a abril de 2004 mostra que o GLP ficou em torno de R$ 29,31. Com o salário mínimo a R$ 240,00, o gasto com gás representava 12,21% desse valor.

De maio de 2004 a abril de 2005, período em que o salário mínimo era R$ 260,00, a média de preço do GLP ficou em R$ 31,18, representando 11,99% do salário mínimo.

Em 2021, por sua vez, o salário mínimo ficou estabelecido em R$ 1.100,00, e nos oito primeiros meses do ano, o preço do GLP foi R$ 76,86, em janeiro, R$ 79,69 em fevereiro, R$ 83,17 em março, R$ 85,01 em abril, R$ 85,37 em maio, R$ 87,43 em junho, R$ 91,92 em julho, e R$ 93,32 até meados de agosto. 

Uma média desses valores coloca o preço de revenda do gás em R$ 85,34, o que representa 7,75% do salário mínimo.

Em fevereiro de 2021, o presidente Jair Bolsonaro anunciou durante a sua live semanal nas redes sociais que o governo decidiu zerar os impostos federais sobre o GLP - de forma definitiva - e sobre o óleo diesel, durante dois meses. 

No site da Petrobras há uma explicação sobre a composição do preço do GLP ao consumidor e o quanto os impostos representam, sendo o ICMS cobrado pelos estados, e o PIS/PASEP e COFINS, pela União. Nesse caso, o imposto do governo federal sobre o gás representa apenas 0% de seu valor, com base nos dados de agosto de 2021, enquanto o tributo estadual é de 14,8%.

Uma matéria publicada pela revista Veja no último 3 de agosto mostrou que cálculos feitos pelo Dieese a pedido da Federação Única dos Petroleiros (FUP) revelaram que de janeiro a julho de 2021 o preço do gás de cozinha aumentou 37,9%.

17 de agosto de 2021 Acrescenta gráficos interativos